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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Seguindo a receita

Olá, amigos e amigas cornetas! Alguém sentiu saudade?
Pois bem, em semana com um cheirinho de coisa boa, vamos recapitular os últimos passos do Botafogo na caminhada pra se manter na série A. 

Ao que parece, Zé Ricardo andou lendo meus palpites por aqui no último post. Brincadeira, só disse o que era óbvio: a receita pro Botafogo escapar da série B era vencer os confrontos diretos contra os adversários que também têm essa preocupação. Ou ao menos, não perder pra esses adversários em especifico.
Com performances eficazes e que vem evoluindo em nível técnico, o time conseguiu triunfos importantíssimos contra América-MG e Vitória. E no meio disso, uma derrota bastante injusta contra o Bahia, aonde fomos absurdamente superiores nos 90 minutos. Ao menos, o gol fora deixa a possibilidade de reverter o resultado bastante palpável, em especial com Nilton Santos cheio.

Se a torcida entender que é essa a realidade do clube - vencer quem é fraco também e fazer o que for possível contra os fortes - e cobrar nessa medida, sem perseguição exagerada nem fora de hora, a sintonia pode fazer o elenco conseguir até mais que o esperado. Atletas como Lindoso e Kieza, geralmente omissos e displicentes, estão buscando todas as bolas e fazendo a diferença em campo. Com mais apoio, podem tornar essas performances uma regularidade. 

Mas nada se compara ao poder decisivo de Erik com a camisa do Botafogo. Pedra já cantada aqui no blog, o meia-atacante tem feito bons jogos desde que chegou, e agora está realmente voando. Seu erro no jogo contra o Vitória  (aonde finalmente foi premiado com um gol) - ao tentar o seu 2º gol na noite ao invés do passe - quase custou caro, é verdade. Porém, a impressão que passa é que o jogador sabe do erro e não tornará a cometê-lo. Até porquê, à exceção do lance, não dá pra chamá-lo de fominha. É um dos principais articuladores de jogadas ofensivas, distribuindo bem o jogo pelas pontas e em facão. 

Com gol e assistência, Erik foi o destaque do Botafogo no Barradão — Foto: MAURICIA DA MATTA / EC VITORIA
Erik: Demorou, mas seu 1º gol finalmente saiu. Tomou uma dura daquelas do Pimpão pelo excesso de fome, mas parece ter aprendido. Se o Fogão tem juízo, use a folga salarial que terá com a saída do Jeff e nomes como LR e Dudu pra contratá-lo em definitivo. Foto: Maurícia Da Matta / E.C. Vitória. Fonte: Globoesporte.com
Sua entrada fez o futebol de Luiz Fernando recuperar o brilho, compondo uma boa dupla ofensiva nos flancos e na entrada da área. Valencia, o cérebro desse atual elenco, ainda está tentando encaixar o melhor padrão com os 2, mas parece que vai demorar: sua lesão, preocupante, não apenas o forçou a sair como fez Zé Ricardo apostar em 3 volantes, sendo Lindoso o mais avançado.
E deu certo: Sem a obrigação de ser o principal marcador, Lindoso passou a armar mais à frente o jogo do time, e tem se apresentado como opção ofensiva, aonde apresenta melhor eficácia. Recompõe o meio pra fechar e facilitar a pressão de retomada ao lado de Bochecha - que parece que quer carimbar a titularidade - e Jean - que é o melhor marcador da equipe. O time soa mais equilibrado: há sempre alguém na sobra para defender, e uma referência na frente que permite o avanço dos pontas e dos volantes em bloco. 

Só não está perfeito porque não temos goleiro. Saulo e Diego são promissores e têm SIM futuro, mas claramente estão sentindo a pressão do profissional. É seguro afirmar que entre 50 a 80% dos gols tomados nos últimos 10 jogos eram bolas absolutamente defensáveis, mesmo para um Jefferson semi-aposentado. Todos os 3 gols do Vitória e os 2 do Bahia entram na conta. Mas há notícias animadoras: Gatito está voltando. Talvez já na volta da Sula, ou na rodada posterior do Brasileirão. 

Contra o São Paulo, será um certo sofrimento, A expectativa é casa cheia, mas não será partida fácil. Eles vêm desfalcados, mas não duvidaria se Zé Ricardo poupasse parte do time, visando a Sula e também o Ceará (se não me engano, próximo adversário na Série A). Não sei dizer se irei neste domingo, mas farei o check-in pra ir contra o Bahia essa semana ainda. 

Sigamos na torcida. As rodadas têm sido benevolentes com o Botafogo, afundando alguns rivais de Z4 e ampliando suas crises internas. Precisamos de mais 5 triunfos por garantia. Ceará e Atlético-PR fora não são pontos fáceis, mas podem ser obtidos. Chapecoense não lembro se é em casa ou não, mas é ainda mais possível. Paraná em casa deverá estar rebaixado, são 3 pontos OBRIGATÓRIOS. Se possível vencer o clássico contra o Vasco e arrancar o máximo de pontos possíveis contra os fortes. É isso. 

domingo, 9 de setembro de 2018

Montanha russa de rendimento: Sobe ou desce o Botafogo?

Olá companheiros de corneta! 
É mais um domingo de frustração com o Botafogo, após derrota pífia para o Fluminense no clássico vovô. O gol saiu em mais uma falha do Saulo (que já havia falhado no meio de semana contra o Cruzeiro) somada a uma falha coletiva da defesa. Cereja do bolo: Lindoso ainda desperdiçou um pênalti que empataria o jogo no final. 

Está cada vez mais difícil explicar o que passa na cabeça desses atletas, quaisquer justificativas para o desempenho irregular que vem sido apresentado. Depois de boa apresentação e vitória contra o Sport, o time foi totalmente atropelado pelo Grêmio em atuação pavorosa, e depois fez uma pressão merecedora de 3 pontos contra o Cruzeiro. Hoje, mais uma partida aquém, embora o Fluminense - melhor, sim - não tenha feito lá uma partida brilhante. A bem da verdade, foi uma partida horrorosa, de poucos lances num Maraca de gramado lixoso.

Os resultados em si, dado os elencos e mandos de campo, não são anormais. Há 2 problemas, entretanto: a baixa pontuação, herança maldita do Paquetá em seu curto período; e a inconstância técnica do time. Naturalmente, armou-se uma panela de pressão pra cima do Zé Ricardo e seus comandados. Zé não balança no cargo, mas é difícil prever por quanto tempo ele suportará os erros crassos cometidos pelo elenco. Sua paciência provavelmente já vem queimada em função do tempo no Vasco.

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Zé esbravejando. Treinador ainda não encontrou a formação ideal e ainda não se acostumou com os perebas (e os ainda piores) que comanda. Até quando terá saco pra aguentar? Fonte: O Noroeste. 
Mas, sendo franco, como dito na legenda, Zé ainda não achou sua melhor cara no Botafogo. Tentou espelhar o time que fez no Vasco, com 3 meias e dobrando a saída lateral, mas a oscilação dos meias e o fraco poder de marcação oferecido pelo time o irritaram, em especial no sacode tomado contra o Grêmio
Após isso, fechou a casinha, sacando Leo Valencia do time e adiantando Lindoso pra fazer a função que o João Paulo fazia, espelhando o time do Jair. O bom rendimento levou a repetir a formação contra o Fluminense, mas o gol levado no começo quebrou o time: uma proposta que tem como característica a reatividade não serve pra ter que buscar resultado. 

Além da questão tática, Zé - seja pelas suspensões e lesões ou por escolha - está contando com peças que não rendem absolutamente nada há tempos. Já mencionei aqui que Marcelo ruim (não o bom), Luís Ricardo, Gilson e Kieza não tem mínimas condições para jogar em clube grande. O próprio Lindoso segue em oscilações de atuação muito preocupantes, e merece um banquinho faz tempo. 

Se há alentos, o primeiro se dá na tabela. Teremos muitos confrontos diretos: É PERFEITAMENTE POSSÍVEL EVITARMOS UM REBAIXAMENTO SEM PRECISAR VENCER JOGOS DESFAVORÁVEIS. Como disse em outros posts, se o Botafogo quer se manter na série A, deve vencer os adversários cuja campanha permite apenas essa briga. Teremos partidas contra Vitória, Ceará, América (já é a próxima), Atlético-PR, o próprio Vasco, etc. Nas últimas rodadas, pegamos um Paraná que provavelmente estará rebaixado. Em suma, vencendo pelo menos 4 desses adversários, o Glorioso dá um bom salto pra não cair. Idealmente, precisa vencer todos. 

O segundo alento é a chegada do Erick. Impressionante como um jogador sem nenhuma chance em Palmeiras e Galo conseguiu mostrar um futebol agudo e sólido. Não apenas foi o principal jogador do time em todas as partidas até agora, como sua entrada levantou o futebol de Luiz Fernando, que encontrou um companheiro mais ágil pra tabelar. Sua titularidade pode inspirar Valencia a recuperar o gás para justificar um time com 3 meias, ou mesmo consolidar o esquema mais reativo com 3 volantes. 

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Erick: meia/atacante tem mostrado bons dribles, objetividade e visão de jogo, além de raça. Se o esquema encaixar, tem tudo pra se tornar um dos líderes técnicos do time e fazer valer uma tentativa de compra ou renovação de empréstimo. Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo. Fonte: Expresso Carioca
Enfim, seguimos na esperança que Zé Ricardo consiga fazer o time render de forma mais regular, e façamos a pontuação necessária pra manter na série A. Sulamericana, com essa performance oscilante, vai ficar difícil. Espero também que a porra do departamento médico tome vergonha na cara e comece a curar quem precisa voltar (Gatito!!) e quebrar quem já era pra ter aposentado. Espero que a diretoria e a comissão técnica entendam que esse elenco NÃO MERECE A FOLGA QUE VAI RECEBER AMANHÃ, dado que o corpo mole de alguns atletas é evidente
Mas não é o momento de apontar dedos; enquanto estivermos nessa penúria, precisamos nos unir pra sair dela. E aí sim, cobrar pesado de muita gente lá dentro. 

Tal qual nosso rendimento, o Brasileirão também é uma montanha russa: as descidas são sempre velozes e podem ser imparáveis, e pra subir é necessário muito esforço. No topo já sabemos que não estamos nem vamos parar, mas que ao menos paremos acima do Z4, pra eu poder descansar a cabeça no fim de ano.