Esporte na língua do povo, sem rabo preso e sem modismo, no amor e ódio eterno do torcedor raiz.

domingo, 7 de abril de 2019

Corda no pescoço

Olá cornetas, desculpe pela demora pra voltar a postar. A vida anda bem corrida, e infelizmente, mais corrida que o meio campo do Botafogo. Eu queria aproveitar pra começar o post de hoje com um print de um esqueminha básico e fácil de entender que eu havia feito para o time no post passado. Segue:

4-2-1-3 que eu havia bolado à época, Diego Souza ainda era boato. A ideia era simples: ter o melhor de cada posição como titular, posicionando o Pimpão na direita (em caso da fase) pra cobrir o Marcinho e dando liberdade ao Santana para avançar tabelando com Érik e Valencia. 

É uma escalação bem fácil e óbvia de entender, se você entende de futebol. Os melhores jogadores disponíveis em suas posições, jogando num esquema que contra-ataca pelas laterais e congestiona a saída de bola adversária. Cícero e João Paulo, embora mais técnicos para a saída de bola, não são tão bons na marcação e ocupam a posição do Alex Santana, que não pode ser barrado em hipótese alguma com seu chute de fora da área (as pessoas não valorizam esse recurso, mas o futebol moderno dá cada vez menos espaço para jogadas articuladas, é necessário ter um bom chutador de média distância). Dessa forma, seriam peças situacionais, de acordo com o requisito do jogo. João Paulo ainda quebraria um galho de meia na eventual perda do Valencia por lesão (sei que o anão desperta amores e ódios, mas o fato é um só: nenhum outro jogador do elenco botafoguense consegue atuar como camisa 10 além do chileno, foi nosso principal jogador de linha ano passado. É aturar o cara até que se contrate ou revele melhor). Ainda teríamos o coringa Bochecha, que por mim teria mais uso que o Cícero, até porque precisamos lapidar e botar ele na vitrine pra fazer caixa mais à frente. 
Todo e qualquer treinador poderia ver que, com as peças disponíveis do Botafogo hoje, isso é o que se pode fazer de melhor com o elenco. Tecnicamente e taticamente, sem sombra de dúvidas. 
Mas Zé Ricardo parece não ser como todo e qualquer treinador. E isso não foi um elogio. 
Chapecoense x Botafogo - Zé Ricardo
Horas contadas? Pra mim, com certeza: Zé Ricardo está afundando o já limitado time do Botafogo. Ou muda radicalmente suas escalações equivocadas, ou vai ficar desempregado. Que peça pra sair, ao menos, porque nem multa rescisória esse clube tá pagando. Foto: Liamara Polli/Photo Premium. Fonte: Lance

Longe de mim ser o cara que cobra cabeça de treinador em má fase. Especialmente com um elenco tão enxuto e limitado. Fora as questões de atrasos salariais que brotaram recentemente - é INACREDITÁVEL  e INACEITÁVEL que a diretoria consiga continuar se enrolando de maneira tão amadora em honrar seus compromissos - e que com toda a certeza andam influindo no desempenho do elenco. Mas Zé Ricardo parece que anda meio fumado das ideias, ou ainda, parece estar querendo cavar a demissão pra não ter que se demitir e ficar de mãos abanando que nem fez no Vasco. A situação é semelhante e está custando muito aos cofres do clube - sem títulos nem bonificações por performance - e à estima dos torcedores.

A razão dessa afirmação vem do péssimo desempenho do time no último mês. Os ótimos resultados na Sulamericana e Copa do Brasil deram cobertura ao trabalho fraco que Zé Ricardo vinha fazendo no elenco durante o Carioca. Foi só voltar para a competição que não teve como disfarçar mais: performances pífias e resultados ainda piores eliminaram o Botafogo de forma ABSURDAMENTE PRECOCE num campeonato cujo regulamento favorece de forma incomparável a classificação dos grandes em detrimento dos pequenos. Quase todos os resultados advinham dos péssimos primeiros tempos do time, que vinha assim escalado:

                                               Gatito/Cavalieri

Marcinho                Marcelo                 Gabriel                 Jonathan

                                        Alex Santana               Cícero
                      
                                                  João Paulo/Luiz Fernando


Pimpão                                     Diego Souza                        Érik


Pode parecer pouca mudança no esquema tático, mas no funcionamento da equipe as diferenças são GRITANTES. Alex Santana não sabe fazer a saída de bola e não faz a cobertura de entrada da área como o Jean. João Paulo quebra um galho como um 10, mas não é a dele, e isso muito menos para o Luiz Fernando, que já vinha numa fase tão ruim que mereceu de fato ser banco do Pimpão. E o ponto mais absurdo de todos: Cícero titular.
Novamente, não é que Cícero seja um mal jogador. Mas qualquer um com um mínimo de inteligência sabe que o cara está velho e não tem pique pra correr atrás de atacante de 20 anos. E nunca foi lá um grande marcador. Ou seja: NÃO É JOGADOR PRA COMEÇAR JOGO.  NÃO É JOGADOR PRA JOGAR 90 MINUTOS. MUITO MENOS DE FRENTE PRA ZAGA. 

O resultado era sempre o mesmo: o time ficava com 2 buracos; um entre o ataque e o meio porque fosse quem fosse o 10 se mandava pra frente, e um entre zaga e meio, pois não havia um cabeça de área fixo. Nesses espaços os adversários faziam seu jogo: no primeiro, anulavam a criação botafoguense e forçavam chutões. No outro, transitavam com liberdade e faziam sus gols. A coisa ainda piorava porque essa escalação forçava o Santana ficar preso atrás - impedindo ele de progredir pro chute, seu melhor aspecto - e forçava o Érik a voltar mais pra marcar ou criar - perdendo fôlego pra atacar no 1 X 1. 

Aí tomávamos gols até o digníssimo Zé Ricardo querer mexer. Em geral, as entradas de Bochecha, Jean e Ferrareis sacudiam um pouco o time, e corrigiam esses posicionamentos e falhas táticas. Mas não sendo o suficiente para reverter os resultados, tanto que cá estamos.

O pior de tudo é que Zé Ricardo repetiu essa escalação burra 3 ou 4 partidas seguidas. Na última, a mais importante, contra o Juventude: o desgraçado teve 10 dias treinando pra pensar como corrigir o que estava claramente errado, e NÃO, ele manteve o erro. Isso num cenário onde os jogadores estavam putos com salário e a torcida pra lá de ressabiada não apenas pelo rendimento fraco mas também de ter que encarar o fantasma do Juventude e o traumático vice de 99 (para os que não sabem, o Botafogo colocou mais de 100 mil no velho Maraca na final da Copa do Brasil, onde precisava apenas de 1 a 0 pra ser campeão, mas os gaúchos seguraram o empate. Cabe dizer, entretanto, que fomos claramente garfados no jogo de ida, com 2 gols mal anulados). Era esperado que se o time jogasse mal a torcida ia perder a paciência rápido. 

Quanto mais tomando gol de BOLA PARADA. Tendo 10 dias de treino pra não tomar um gol desses. Enfim. Fui ao Nilton Santos ver essa vergonha, seguem as notas:

GATITO - 6,0
Não teve culpa no gol. Foi seguro no que pôde. 

MARCINHO - 7,5
Sim. Marcinho foi disparado, de longe, o melhor em campo pelo Botafogo. Marcou bem, lutou, e de seus pés saíram todas as principais jogadas de ataque do time no 1º tempo. Sua saída arrebentou o time, que empatara na base do abafa.

MARCELO - 5,5
Titubeou no lance do gol. Correu atrás pra compensar, mas também foi sacado por Zé Ricardo em outra substituição estranha. 

GABRIEL - 5,0
Não foi bem, pixotou em excesso. Perdeu um gol feito. 

JONATHAN - 5,5
Marcou bem, mas não conseguiu aparecer muito no ataque. Justiça seja feita, seus companheiros pareciam não enxergá-lo. 

ALEX SANTANA - 5,0
Muito mal na marcação, já que estava deslocado. Quando teve mais liberdade, tentou produzir lances ofensivos, mas não chutou. 

CÍCERO - 3,0
Não tem condições de atuar 90 min. Não pode ser escalado com obrigações defensivas. Andou em campo no 1º tempo, errou praticamente tudo que tentou no 2º. 

JOÃO PAULO - 2,0
Estava muito isolado do resto dos companheiros do meio. Deu balões aleatórios pra área, e pra fechar com chave de ouro foi expulso por cair na pilha de um jogador zé ninguém do Juventude que jamais ganhará nada importante na vida. Capitão do time, tem a obrigação de ter a cabeça no lugar. E ainda que estivesse em campo, atuou de maneira pífia. Será que há futuro pra ele depois da lesão do ano passado? Seu futebol desapareceu. 

PIMPÃO - 4,5
Péssimo na parte ofensiva, e também deixou a desejar na defensiva, roubou poucas bolas.

DIEGO SOUZA - 5,0
Deve ter percebido o tamanho da furada em que se meteu por agora. Como Kieza, Brenner e todos os outros centro-avantes que aqui passaram recentemente, recebe poucas bolas. Tentou fazer pivôs, e saiu da área pra armar jogadas no fim de jogo. Ainda está devendo um pouco, mas não vai fazer milagre.

ÉRIK - 6,0
Tentou criar jogadas, recuperou bolas, se manteve aberto como opção e tabelando em facão por dentro. Bateu pênalti com maestria. 

LUIZ FERNANDO - 3,5
Absolutamente ninguém entendeu sua entrada no lugar do Marcinho. De 4 lances, errou 3. O único que acertou, foi desperdiçado por Kieza. 

KIEZA - ZERO
É uma negação de centro-avante. Precisa sair de General Severiano para seu próprio bem. E para o bem do universo, deve se aposentar e trabalhar de pedreiro, assim de fato será construtivo para alguma coisa. 

BOCHECHA - 6,0
Entrou improvisado na zaga - ???? - e ainda assim conseguiu ser efetivo tanto interceptando quando na saída de jogo, tendo produzido mais que Cícero e João Paulo juntos em menos de 5 min de participação. 

ZÉ RICARDO - ZERO É POUCO, TU MERECE MENOS 10 SEU ARROMBADO.
Insistiu, pela 4ª vez, numa escalação que já se provou errônea e improdutiva. Suas substituições foram absurdamente equivocadas: tirou o melhor em campo (Marcinho, lateral direito) pra botar o Luiz Fernando (atacante), forçando o Pimpão a cair pelo lado direito pra marcar. Aí não satisfeito, tira o próprio Pimpão e coloca o Kieza na área, forçando o Marcelo a ir cobrir a parte da direita e abrindo um buraco na zaga que o Cícero (!!!!) teve que ir cobrir. NÃO SATISFEITO, tirou o mesmo Marcelo pra botar o Bochecha fechando a zaga, o Gabriel foi deslocado pra direita e o Cícero ficou na zaga com o Bochecha. 
Foi de uma estupidez tamanha que não tem nem como descrever. Tirou o jogador mais produtivo em campo pra botar um atacante em péssima fase e deixando seu lado direito exposto e capenga: aí desarrumou mais ainda tirando quem foi lá cobrir pra botar um outro atacante ainda pior; a partir daí a zaga virou um caos. Qualquer contra ataque do Juventude poderia ter matado a partida. Zé Ricardo teve 90 minutos pra perceber que Cícero não tem condições de jogo, 90 min para colocar o Jean e deixar o time mais seguro pro avanço do Santana, e não o fez. Às vezes, melhorar a produtividade ofensiva parte de você arrumar sua defesa, pra que seu meio e ataque não precisem voltar tanto. Será que é tão difícil assim ver isso, Zé Ricardo?

Ou melhor, será que o dito cujo QUER ver isso? Ou quer ser demitido, pra levar a multa? 
Vou ser justo: o Juventude recuou absurdos e o Botafogo massacrou mesmo que na base do abafa. O goleiro dos caras operou milagres e Kieza foi, basicamente, Kieza. Ainda assim, tudo teria sido muito mais tranquilo desde o início se Zé Ricardo tivesse utilizado seus 10 dias com afinco e reconhecido seus erros táticos. Ainda que não o fizesse, se tivesse mudado logo no intervalo e tirado o inoperante Cícero, o time poderia ter feito melhor uso do seu meio campo, já que não haveria um Alex Santana correndo por 2. Ou seja: Não há outro responsável para o fiasco de quinta feira que não o técnico. 

O 1 a 1 só não foi pior porque o regulamento da Copa do Brasil excluiu o critério do gol fora. Temos plenas condições de passar. Mas, verdade seja dita, isso parece ser uma realidade atingível apenas se Zé Ricardo for demitido. Já deu de experimentos. Já deu de desculpinhas. Mesmo com peças lesionadas, poderia fazer melhor, e não faz porque não quer. É teimoso e limitado. 
Cai fora Zé Ricardo! Pede pra sair.