Roteiro perfeito para uma noite feliz: estádio cheio, mosaico bonito, torcida berrando o tempo inteiro, adversário frágil, time em boa sequência. Claro, só esqueceram de avisar ao Botafogo.
Mais uma vez, amargamos uma eliminação precoce na Sulamericana (e justo num ano em que o caminho para o título era algo possível mesmo para um time tão limitado) e ainda num cenário extremamente injusto, tanto ao time quanto ao torcedor.
Basta lembrarmos, antes de qualquer coisa, do jogo de ida contra o Bahia. O 2 a 1 lá foi absurdamente mentiroso. Metemos bolas na trave, o goleiro deles fez milagres..e nós tomamos dois frangos do 4º goleiro.
Ontem à noite, o primeiro tempo deu a tônica que se esperava: jogo feio, mas aberto, e a consolidação do fato de que se fosse pra passar, seria apertado e provavelmente tomando gol. Ambas as zagas estavam batendo cabeça, o que explica o bizarro gol inaugural do Pimpão, o empate baiano e o segundo gol feito pelo Luiz Fernando. A posse era majoritariamente nossa, mas isso não se traduziu num massacre de oportunidades. Entretanto, a defesa do goleiro Douglas num arremate à queima-roupa do Lindoso (ou do Kieza, não lembro bem) e a escorregada ridícula do Lindoso de cara pro gol foram lances cruciais pra que não fôssemos ao segundo tempo com a vaga na mão.
Entretanto, isso não é desculpa pra explicar os outros 45 minutos extremamente apagados do time na parte ofensiva. Claramente, a parte física pesou e o time parecia morto em campo depois de 20 minutos. Zé Ricardo tentou injetar gás, mas fez ao menos uma mexida bastante burra: ao tirar Luiz Fernando - o mais criativo no ataque naquele momento - pra por o inoperante Aguirre, perdemos força pra tabelar e a inventividade do garoto, que estava levando vantagem no 1 contra 1. Facilitamos pro Bahia cozinhar o jogo: sabiam que se fosse pros pênaltis teriam ampla vantagem.
E desde já faço aqui um manifesto: DEMITAM TODO MUNDO NO DEPARTAMENTO MÉDICO DO BOTAFOGO! São mais de 3 ou 4 temporadas em que SEMPRE temos 2 a 3 jogadores necessários ao elenco parados no DM sem previsão de volta. Alguns até são os mesmos. Saulo não é o maior culpado pela eliminação, mas é EVIDENTE que não ter Gatito nos pênaltis FOI DECISIVO pra não seguirmos na competição. Aliás, Gatito em campo forçaria o Bahia a sair mais, sabedor de que nos pênaltis a vantagem seria nossa.
Saulo até fez mais que o esperado, conseguindo catar um pênalti e compensar a cagada do Marcinho na 3ª cobrança. Mas aí, nas alternadas, Moisés foi de cabeça baixa até pra se aproximar da área. Detalhe: Quem bateria seria o Pimpão, mas o Moisés PEDIU pra bater. E fez aquilo. Um recuo de neném.
Infelizmente, acontece, e vamos ter que aturar o fato que o Carioca é o que deu esse ano, e é isso. É mais um ano rezando pra não cair, e serão muitos outros enquanto a dívida for tão absurda e a sorte não nos abraçar. Cabe à torcida reconhecer isso, e justamente por essa missão ingrata de ter que ter time ruim até pagar tudo, abraçar sempre o Botafogo e empurrá-lo na base do grito. É o que tem funcionado. Ainda nos aguardam dias melhores, porque o futebol é injusto, mas seus Deuses não o são.
Estava no estádio, então hoje tem notas!
SAULO - 5,5
Zero culpa no gol. Mas segue absurdamente inseguro. Sua movimentação antes das batidas dos adversários é um atestado de que é um péssimo goleiro. Essa merda NUNCA funciona. Goleiro bom fica parado e espera quieto. Ainda assim, catou uma (péssima) cobrança.
MARCINHO - 5,5
Fez uma das suas melhores partidas durante os 90 minutos. Fez boas tabelas no ataque, cruzou bem, driblou, e ATÉ FOI BEM NA DEFESA, marcando certo e com boas intervenções. Nos pênaltis, foi displicente ao tentar tirar de um goleiro alto batendo rasteiro.
CARLI - 4
Sofreu horrores contra o veloz ataque baiano. Visivelmente nervoso; apelou pra faltas, catimbou, mas só conseguia errar o tempo de bola e criar situações de perigo pro adversário. Bem nas bolas altas defensivas, mas totalmente ausente na ofensiva (e isso pesou muito no fim de jogo).
RABELLO - 6
Único atleta da defesa que não errou em nenhum momento na partida. Soberano no alto, preciso nos cortes rasteiros, ganhou o combate individual contra todos, sendo que atuou praticamente sozinho devido à noite desastrosa de Carli. Só faltou fazer aquele gol de cabeça salvador.
MOISÉS - 4,5
Não pode ser chamado de omisso. Deu opção ofensiva durante toda a partida, foi pra cima, distribuiu dribles no ataque e fez bons cruzamentos. Na defesa, porém, foi péssimo. Displicente, o gol baiano sai nas suas costas. Errou saídas de bola com dribles burros. Puxou a responsabilidade pra si nas alternadas, achando que poderia compensar as falhas. Acabou errando de forma medíocre. Sim, ele não é omisso. Mas sim, tampouco é craque e pelo visto, não treina.
MATHEUS FERNANDES - 4
Muito mal. Entrou pra fazer a função do Jean, mas não consegue entender seu posicionamento ao jogar ao lado de Lindoso e Bochecha. Ficou perdido no meio e ainda tomou um cartão bobo. Saiu para a entrada de Renatinho.
LINDOSO - 5
Não fez a melhor das partidas, demorou a se encontrar. Deu o passe pro segundo gol. Mas depois, sumiu de novo.
BOCHECHA - 6,5
Melhor no meio mais uma vez. Erra em alguns momentos, mas tem visão de jogo, parte pra cima e é objetivo. Suas viradas de bola e dribles de corpo desafogaram o time em momentos chave; faltou pontaria dos que recebiam seus passes.
PIMPÃO - 7
Melhor em campo no todo, correu feito o maluco que é, marcou do seu jeito tresloucado o tempo inteiro e ainda finalizou algumas vezes: a mais importante no primeiro gol, que começa em uma roubada sua que ele mesmo apanha mais à frente, aproveitando o vácuo criado pelo Kieza. Cansou no fim, mas ainda assim fez cortes importantes. Faltou ser fominha e ele mesmo bater o pênalti alternado, como tinham combinado antes.
LUIZ FERNANDO - 7
Poderia ter tirado nota maior se Zé Ricardo tivesse lhe mantido em campo. Estava ensaboado, distribuindo dribles (ao ponto de ser fominha em dados momentos). Meteu um gol que reanimou o time e a torcida, e era o mais lúcido em campo no segundo tempo até sair. Tão logo saiu, o time desabou de rendimento.
KIEZA - 6
Sofre o mal do centro-avante de time ruim: a bola não chega. Mas quando recebeu, fez ótimo trabalho de pivô e tem justificado a titularidade. A malandragem de sair do impedimento bloqueando a visão da zaga baiana pro Pimpão passar foi importantíssima. Cansou no fim, e ainda assim bateu pênalti com perfeição.
RENATINHO - 4
Entrou pra aumentar a produtividade ofensiva, municiar o ataque com qualidade. Mal tocou na bola, errou dribles e passes, e foi péssimo na bola parada (o que fez muita diferença na pressão final). Renatinho claramente não é jogador de série A. Saudades do Valencia.
AGUIRRE - 3,5
Entrou no lugar de Luiz Fernando, teoricamente pra compor dupla com Kieza e favorecer o chuveirinho. Ficou nas pontas, errando passes e fazendo faltas burras. É inacreditável que a torcida tenha se mobilizado nas redes por um atacante tão fraco e sem cabeça.
MARCELO - 5,5
Entrou improvisado no lugar do exausto Bochecha, e foi razoável. Marcou na medida do possível, e até arriscou saídas ao ataque.
ZÉ RICARDO - 4
Ficou devendo muito na noite de ontem. A entrada do Renatinho foi uma mexida certa, só entrou ele porque o Valencia tava fora. Mas tirar o Luiz Fernando foi de uma burrice imensurável. Se não houve cansaço físico, foi um absurdo. E ainda mais pra botar o Aguirre: Zé Ricardo deixou claro nas últimas partidas que o reserva é o Brenner, que comporia melhor uma dupla de ataque com o Kieza pra ficar na base do abafa. O uruguaio nem pra isso entrou, ficou nas pontas mantendo um esquema que não estava mais funcionando pra situação na partida. O rendimento do time desabou e isso passa diretamente por essa mexida errada do Zé. Ele tem seus méritos na clara evolução técnica da equipe, mas não é a primeira vez (nem no Botafogo nem na carreira) que faz mexidas estúpidas. Precisa fazer o simples e teimar menos.
Bom, é isso. Resta torcer pra que a torcida não se abale em excesso, porque no Brasileiro não tem nada decidido, apesar da nossa melhora inquestionável de rendimento. No post passado me enganei, já teremos o clássico de vida e morte contra o Vasco - que está a uma derrota de entrar na espiral sem fim: eleição anulada, salários atrasados, técnico e elenco tirando o deles da reta e criando ainda mais problemas - na terça. Precisamos ganhar, é jogo de mil pontos.
Ah, e 17 só o Pimpão, valeu? Fascista tem que se foder, Botafogo é resistência honrada. É time de corajoso que bate no peito em que pulsa a estrela e luta contra a injustiça sozinho, e não de um bando de covarde metido a macho quando anda em grupo fazendo merda por aí. É o time das causas impossíveis, que exalta seus ídolos - vários deles negros, mulatos e estrangeiros - e, muito por isso, APRENDEU HISTÓRIA! E só quem sabe história pode ter um futuro.
O clube que talvez mais sofra - dentre os grandes - com as roubalheiras resultantes da politicagem, dos interesses escusos entre federação, mídia e clubes midiáticos. O clube que um argentino mete 3 gols e não dá audiência pra Globo pelo feito. Um clube que a gandula dá lançamento pra gol e cresce na vida batalhando duro, sem nunca ser diminuída por ser mulher.
O Botafogo é e SEMPRE SERÁ um gigante de RAIZ no futebol brasileiro, e não falta exemplo na sua história de como esse time representa muito mais o povo que sofre e quer ser feliz do que os imbecis que querem opressão. Botafoguense que se preze toma a sua cerva com todas as outras tribos e rivais junto e se diverte. Botafogo é só pra quem realmente tem esperança de dias melhores e coragem pra lutar por isso. Se você é Botafogo e é fascista, tira esse manto, que tu não merece.




