Esporte na língua do povo, sem rabo preso e sem modismo, no amor e ódio eterno do torcedor raiz.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

O último dos verdadeiros apaixonados

Não é um texto fácil de fazer. Não porque seja difícil falar do Jefferson e sua linda história com o Botafogo, mas porque não deixa de ser dolorido dizer adeus. 
Em pensar que nos preparamos pra despedidas anteriormente, e também pra essa, mas ainda assim, demora a cair a ficha. 

Por isso, pra que eu possa fazer esse texto sem ficar apenas emotivo, vou fazer diferente, vou começar pelas notas do pessoal ontem (ou você achou MESMO que eu não estaria presente num dia como aquele?)

JEFFERSON - 10. 
Dia dele, cada toque na bola e defesa valiam como um gol. Não merece ser diminuído pelo gol tomado, uma bola indefensável (para seu estado atual de goleiro humano) que só surgiu pela falha coletiva da defesa. 

MARCINHO - 5
Tentou não comprometer muito atrás, mas se ausentou de aparecer mais à frente.

MARCELO - 4,5
Fez partida fraca, tendo muita dificuldade pra conter os ataques adversários. Fez faltas bobas e errou antecipações, além de vacilar no gol.

RABELLO - 6
Melhor na defesa, foi extremamente seguro nos combates, mas errou passes e precipitou lançamentos. Não teve reação no gol.  

MOISÉS - 5,5
Poderia ter tirado um notão, já que deu duas assistências. Mas sua displicência em campo segue nítida e irritante. Péssimo na marcação. 

LINDOSO - 3
Absolutamente execrável. Errou tudo que tentou, andou em campo, enfeitou lances de forma displicente, partiu pro ataque e abandonou o meio em diversos momentos. Parece não querer jogar com o garoto Bochecha, e queima o filme do moleque de propósito ao deixá-lo sozinho no combate. É inaceitável que essa porra seja um dos líderes do elenco. Se Jean se mantiver no elenco, Lindoso terá seu banquinho reservado. 

BOCHECHA - 5,5
Durante o tempo que esteve em campo, foi preciso em lançamentos, dribles e viradas. Na parte defensiva, sofreu um pouco, por culpa do Lindoso. Ainda assim, apresentou bom futebol.

ERIK - 8,5
Roubou a noite um pouco pra si, com 2 gols de artilheiro. Buscou o jogo, criou lances, e foi o responsável por garantir ao Jeff uma noite mais brilhante. Só pecou no excesso de fome.

VALENCIA - 4,5
Parecia desgastado, sofrendo mais do que já sofre pra correr. Errou lances bobos, fez partida irreconhecível. 

LUIZ FERNANDO - 4
Apareceu pouco, deu bobeira na marcação em muitos lances, apesar do esforço. Não foi efetivo em nenhum lance de ataque.

BRENNER - 5
Verdade que a bola não chega, mas quando chega ele se atrapalha. Perdeu um gol feito por firula. Ainda assim, lutou e fez boas puxadas de contra-ataque.

JOÃO PAULO - 7
Que saudade eu tava desse cara! Nosso motorzinho guerreiro voltou, e tem tudo pra ser o capitão em 2019 e nos guiar a mais glórias. Bastou entrar, o time passou a criar mais. Diferente da maior parte do elenco, João Paulo tem talento, raça e faz o simples. Quase marcou um golaço de falta.

PIMPÃO - 4,5
Entrou pra melhorar a apresentação do lado esquerdo, dado que o Luiz Fernando foi mal. Melhorou a marcação, mas só. Tentou cortar uma bola simples com uma bike, pra variar, e acabou sendo atropelado pelo adversário. Foi o momento mais engraçado da partida.

MARCOS VINÍCIUS - SEM NOTA
Entrou no fim, no lugar do exausto Valencia, e não teve tempo pra fazer nada. 

ZÉ RICARDO - 6,5
Tentou dar oportunidades pra outros atletas no jogo de despedida, e mexeu aonde havia problemas. Exceto, claro, por manter o Lindoso em campo. Precisa desapegar desse carrapato pra ontem, pois queremos o Zé em 2019.

Agora dá pra falar do Jeff. 

No fim da partida, Jeff deu a volta olímpica com as filhas, agradecendo à torcida. Em dado momento, pegou o bandeirão e fez a festa. Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo. Fonte: Instagram oficial do Botafogo.
Meu primeiro contato com Jefferson foi durante a primeira passagem do Botafogo na série B, aonde sua presença foi decisiva pra que conseguíssemos o retorno à série A. Eu ainda tinha 9 anos, então não compreendia tão bem de futebol. 
Em 2009, por outro lado, eu era um botafoguense nato, e de orgulho manchado pelas derrotas pro Flamengo, e vi Jefferson impedir mais um rebaixamento. No ano seguinte, o paredão fez Adriano sentir o cheiro da derrota, com uma defesa emblemática, e um título que lavou a alma. 

De 2009 a 2014, nenhum goleiro brasileiro teve performance superior ao Jeff. Afirmo com tranquilidade. Os mais próximos foram Victor (Grêmio e Atlético-MG) e Fábio (Cruzeiro). Curiosamente, ambos os 3 foram terrivelmente injustiçados na Seleção. Fábio sequer foi convocado. Jefferson, por outro lado, se tornou o 47º atleta botafoguense convocado da história, aumentando nosso recorde de maior fornecedor pra canarinha. Com Mano Menezes, Jeff teve prestígio e fez proezas inimagináveis, parando até mesmo Messi

Com o retorno do Dunga burro, Jeff foi sacado e crucificado pelas falhas de uma zaga escalada com Dante e David Luiz. Era um absurdo de inaceitável. 
Não bastasse isso, Jeff ainda viu a porra do dentista estraçalhar as finanças do Botafogo. Viu Seedorf usar o clube como catapulta pra projetos pessoais e levar dinheiro de atletas (e muito por isso questiono DEMAIS a idolatria dada ao holandês). Jeff viu um clube que passou anos direto na briga por Libertadores virar um frangalho devedor de salários, na série B novamente. Ele poderia ter ido embora. Ele poderia ter feito sua carreira decolar de forma que o Dunga não pudesse rejeitá-lo. 

Ele preferiu o Botafogo. Ele quis ficar pra nos ajudar. Ele trocou títulos de mais expressão em clubes mais estruturados, mais visibilidade pra Seleção, TUDO, pela glória de seguir no time que amava (e ama). Se você não é capaz de entender esse sentimento, não é porque você não é botafoguense. É porque você é esse torcedor de futebol moderno, modinha, que só bota a camisa na vitória e some nas derrotas. Você é esse zé ruela que não sabe o que é a paixão do futebol, e, portanto, NÃO MERECE se dizer torcedor. Você que só vive de números JAMAIS vai entender o que a paixão significa, e porque ela merece respeito. E, pro bem do esporte, espero que você fique longe de todos nós.  

Enfim, Jeff nos levou de volta à série A com mais um bom ano. Em 2016 em diante, passou a ser acometido por lesões. Sofreu com o DM incompetente. Viu o monstro Gatito chegar, enquanto sua elasticidade e impulsão diminuíram. Jeff falhou em ocasiões preocupantes. A idade bateu à porta. Sentiu, com a humildade característica, que era a hora de parar. Tocar sua vida pessoal. 

Jefferson, por vezes o time do Botafogo e sua diretoria não fizeram por merecer você. O clube, porém, te fez um gigante, e tem orgulho de ter você como uma estrela. A gratidão que tenho a você, como ser humano e torcedor, é enorme e indescritível. Não me importa se você não foi melhor ou maior que o Manga, me importa que você é um dos caras que me fez ter ainda mais orgulho do meu time. Você defendeu nossa bandeira em cada salto. E por isso, só posso dizer: Obrigado! 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Bolão da Resenha: Os rebaixados de 2018

Olá amigos e amigas cornetas! Estreando uma coluna nova de uso geral, esta é a coluna Palpite Corneta. O nome é autoexplicativo: Aqui, todos os corneteiros tem passe livre pra fazer suas apostas e previsões pra absolutamente qualquer coisa no mundo do esporte. 

Para a devida estreia, firmamos aqui um compromisso público: 6 de nós, Equipe da Resenha, estamos tentando cravar quem serão os 4 rebaixados da série A do Brasileirão de 2018. Sugeri a ideia na medida em que o tanto pra título quanto G4 há poucas opções, mas na parte de trás TUDO ainda pode acontecer. 

Todos os palpites aqui listados foram consolidados antes de se concretizarem os primeiros resultados parciais da 36ª rodada, que está rolando agora. Ou seja, todos chutaram partindo da mesma base, de forma justa. 

As regras são simples:
1 - A aposta vale 5 reais;
2 - Ganha quem acertar os clubes e a ordem de rebaixamento (colocação no campeonato);
3 - Não havendo quem acerte a ordem, mas acerte os clubes, este sairá vencedor;
4 - Não havendo nem 1 nem 2, vence quem acertar a maior parte dos clubes rebaixados;
5 - 2 ou mais jogadores em igualdade em quaisquer das condições acima como vencedores, podem decidir entre dividir igualmente o prêmio ou decidirem entre si um critério de desempate justo (vale porrada também).

Eis as apostas:



Como podem ver, há algumas apostas repetidas, e alguns times muito citados, o que significa que vai ser apertado (ou todo mundo vai perder). 
O encontro para celebrar a aposta e o fim da temporada de futebol brasileiro será marcado e devidamente registrado. 

E você, qual o seu palpite? Faça sua aposta com seus amigos, e reúna todos pra beber o fim de mais uma temporada!

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Reação no timing certo

Fala meu povo corneta! Peço perdão pela ausência longa, foram semanas intensas de correria devido a questões como estágio, burocracia, prova do mestrado, tudo isso junto com o TCC (que quanto mais próximo de acabar, menos consigo sentar pra fazer). Mas, vim num bom momento: no pico da reação alvinegra no campeonato brasileiro. 

Ao que parece, nossas chances de rebaixamento agora são ínfimas e, devido a tabela jogar os candidatos mais ameaçados contra si, tende a se confirmar nossa permanência. Mas, botafoguense que é botafoguense só se permite relaxar quando a matemática disser que a chance de queda é zero. Sabemos, mais do que ninguém, que o "Botafogo desafia a lógica mundana" é pra bem E pra mal. Portanto, ainda não cantamos vitória. 
Se é que dá pra chamar de vitória uma permanência na série A, mas nossa realidade financeira e estrutural é tão triste, que de fato, soa dessa forma.

Bom, chega de pessimismo. Quero analisar aqui a boa sensação que o rendimento atual do Botafogo vem trazendo. Fiz uma lista com os motivos que enxergo como principais para explicar a guinada da equipe, com as 3 vitórias seguidas contra Corinthians, Flamengo e Chapecoense:

1 - A trinca LEV: Luiz Fernando-Erik-Valencia

Demorou um pouco pra que os 3 conseguissem jogar bem em conjunto, mas finalmente encaixaram. Esses 3 jogadores, ao longo do ano, foram os mais decisivos para a construção de jogadas do time. As oscilações individuais dos 3 faziam com que nenhum técnico tivesse a certeza se valia a pena utilizá-los sempre como titulares. 
Acontece que, em termos técnicos, não há NENHUM atleta no elenco que supere os 3 na parte técnica, ofensivamente falando. Ao menos tirando o João Paulo da conta, já que ele praticamente não atuou no ano, e também o Kieza, que é atacante e não é responsável pela criação (e bom, particularmente, perde muito gol também). Em outras palavras, são o melhor que temos, e a melhor opção pro time conseguir fazer gols é escalar o que tiver de melhor. 

Erik e Luiz Fernando: Juntos com Valencia, passaram a render mais e têm sido mais solidários. O resultado é um contra ataque fulminante do Botafogo contra adversários desprecavidos. Fonte: Uol

Luiz Fernando e Erik reduziram sua dose de fome, e estão se aplicando mais na recomposição pelas pontas, o que aliviou bastante a vida dos nossos laterais, que sempre tinham que encarar dobradinhas. Seguem sendo os atletas mais habilidosos, definindo o um contra um e abrindo espaço nos dribles, criando oportunidades. Leo Valencia, por outro lado, ainda é o garçom de ouro da equipe. O entrosamento com os pontas levou a maior precisão de seus passes, em assistências cirúrgicas e decisivas nos últimos jogos. 

2 - O DM tomou vergonha: O retorno triunfal de Gatito

Quem lembra do texto passado vai lembrar que eu cobrei FORTEMENTE (pra não dizer outra coisa) o departamento médico do time. A eliminação da Sulamericana passou, de forma clara, pela falta de um goleiro minimamente capaz de decidir (tanto na ida, com os 2 gols facilmente defensáveis tomados, quanto na volta pros pênaltis). Não apenas, após aquela tragédia contra o Bahia, o time oscilou muito de rendimento muito em razão de tomar gols desnecessários, o que é fatal pra um elenco que tem dificuldade de produzir ofensivamente. Empates horrorosos, derrotas evitáveis (especialmente contra o Atlético-PR, oficialmente um time de fascistas pelo visto), proximidade da zona...tava foda de aturar. 

Foi então que, contra o Corinthians, a esperança renovou: Gatito estaria de volta. Tive preocupação forte da possibilidade dele estar indo ao jogo ainda fora do momento ideal, como um quebra-galho pra resolver pro time (e um atestado da incompetência do DM). Mas, Manga abençoou: Gatito não apenas estava em plena forma (algo relativamente incomum pra ele, que costuma levar algumas partidas pra se recuperar após pausas. Só lembrar do começo dele pelo Botafogo pós férias de 2016, aonde algumas falhas rolaram e a primeira impressão deu desconfiança até aquela decisão épica contra o Olímpia), como ainda voltou fazendo defesas absolutamente impossíveis, garantindo o 1 a 0 naquela partida. 

Gatito: Retorno triunfal pra decidir pelo Fogão e recuperar a confiança da equipe. Fonte: Extra

Outro ponto importante é que, com sua presença, a zaga fica mais tranquila pra jogar, diminuindo a tensão que carregavam com Saulo. Isso ajudou Carli e Rabello a focarem em seu trabalho: cortar jogadas e combate mano a mano. De forma parecida, os adversários arriscam menos chutes despretensiosos, sabendo que vão precisar trabalhar mais pra vazar o paraguaio.
Vale mencionar também que o DM também recuperou Jefferson e Leo Valencia (influenciando no primeiro tópico), mas precisa melhorar seu trabalho com Jean, que é titular absoluto e faz muita falta sempre que se lesiona.

3 - A eliminação da Sula: Um mal necessário pela Série A

Foi horrível aceitar a eliminação para o Bahia, da forma que foi. Merecíamos MUITO mais a vaga, temos mais time e teríamos condições de bater o time de fascistas. Porém, é só olhar a oscilação de desempenho do Fluminense e do Patético no Brasileiro pra ter CERTEZA de que se ainda estivéssemos na Sula, essa sequência de 3 vitórias não seria possível. 
Mais que isso: é bem provável que tivéssemos mais atletas lesionados, mais resultados negativos, menos entrosamento. 

A verdade é dura e simples: devido a nosso primeiro turno sofrível e nosso elenco de baixa qualidade, avançar na Sulamericana seria aumentar progressivamente nosso risco de queda. Talvez ano que vem essa relação não seja assim tão fatal, mas neste ano, me convenci de que não teríamos pique pra aguentar. Tanto que passamos o Fluminense

4 - O embalo da atmosfera: Promoção de ingressos no Nilton Santos e a confiança adquirida

Já são algumas partidas em sequência que a diretoria coloca os ingressos a preços absurdamente baixos (ao ponto de gerar prejuízo mesmo com bom público em algumas partidas). Com públicos acima dos 20 mil (costumeiramente, mal bate 10 mil em jogos não cotados como importantes), a torcida fez sua parte e empurrou o time. A partir do primeiro resultado positivo, criou-se uma confiança na possibilidade de recuperação. Depois de uma vitória pragmática contra o Corinthians, a atuação maravilhosa diante do Flamengo foi uma injeção absoluta de ânimo no time e na torcida: o Botafogo não apenas foi soberano e desperdiçou a chance de aplicar uma goleada, mas ainda destruiu completamente as chances de título do rival, que foi obrigado a passar mais um ano de cheirinho

Torcida alvinegra: Ingressos mais baratos ajudaram a aumentar a presença. Com a presença maior, o time ganhou um empurrão e conseguiu bons resultados, e a torcida vem em peso cada vez maior. Ciclo de atração positiva realizado com sucesso! Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo. Fonte: Torcedores.com

O resultado? Contra a Chape, mais um jogo de frieza e inteligência, decidido no detalhe. Com isso, faltam 4 jogos, são 7 pontos de diferença para a própria Chape, primeira da zona. E tanto esta quanto todos os outros times ameaçados do rebaixamento jogarão desesperadamente entre si ou contra adversários brigando pelo G6. Se a lógica acontecer, em 2 rodadas saberemos que estamos livres. Mas pode ser antes: A confiança injetada neste elenco permite a ele pensar em vitória contra o Inter, em dia de casa cheia a nosso favor. E esse resultado ocorrer, será possível pensar em melhores colocações, e portanto, melhores premiações ao fim do campeonato. 

5 - Zé Ricardo: Parou com os testes

Demorou MUITO, mas Zé Ricardo desistiu de insistir em peças que não rendem (exceto na falta completa de opções, em funções de suspensões e lesões). O displicente Moisés, por mais técnico que seja, tomou seu lugar no banco (e na provável barca do fim de temporada). Renatinho quebrado, só entra em fim de jogo pra tapar buraco. João Pedro foi abandonado de vez (aleluia). Aguirre perdeu espaço e vai ter que ralar muito pra soar merecedor de novas oportunidades (vejamos a temporada que vem se vale a pena) Só de ter isso em mente, já foi possível manter um time que pudesse se entrosar, sem arriscar utilizar peças inúteis pra qualquer esquema tático.

Além disso, ao promover a permanência do esquema com 3 meias, Zé poupou Bochecha de ser queimado sem necessidade, e preservou Matheus Fernandes como opção pra situações táticas. Pimpão entra quando um dos pontas cai de rendimento, mantendo a recomposição. Brenner, enrolado, faz o papel do Kieza razoavelmente bem, na ausência do último. O time se desenhou pro Zé da forma que ele precisava ser, e finalmente o teimoso leu o desenho e concordou. O time é esse mesmo: fechado, explorando espaço do adversário, matando o jogo em contra-ataque e bola parada. Ponto. Se tiver melhoria no plantel, aí sim pensa em mudar. Mas até lá, é isso e ponto

Agora, restam algumas contas. Mas, com sorte e competência, poderemos parar com as contas e pensar 2019 (que tende a ser assustador mesmo na série A, se a diretoria continuar fazendo algumas merdas como nessa temporada). Não posso ir domingo agora, então estou me planejando pra ir contra o já rebaixado Paraná, na provável despedida do Jefferson. 

Saudações alvinegras! 

sábado, 10 de novembro de 2018

O que esperar do futuro de Nick Mullens nos 49ers

Após oito semanas de futebol americano, San Francisco parecia mergulhado em azar. No meio de um mar de lesões afetando seus principais jogadores, está Jimmy Garoppolo, nessa que seria uma das mais importantes temporadas no processo de reconstrução do time. O reserva CJ Beathard estava cumprindo a função de Quarterback, e o time amargava apenas 1 vitória em 7 jogos. Com uma pequena lesão do próprio Beathard, os 49ers precisavam do seu terceiro Qb, o undrafted free agent Nick Mullens, para o jogo contra o Oakland Raiders.

Parte da torcida estava apreensiva pela falta de experiência do jovem Mullens, mesmo essa sendo uma temporada perdida. Mullens jogou apenas uma partida de pré-temporada -em que, convenhamos, conduziu uma vitória interessante- mas não pode ter nenhum peso avaliativo por ter sido um jogo de pré-temporada. A outra parte da torcida estava empolgada, porque CJ Beathard não havia demonstrado muita qualidade e regularidade em alguns jogos. Ver o que outro jovem Quarterback poderia demonstrar na temporada regular, vestindo o esquema do Shanahan, parecia bem convidativo.

Acertou quem abraçou a hype: Mullens teve números bons e o 49ers demoliu o Oakland Raiders no derby da baía. Foram 16 passes completados, de 22 tentados. 262 jardas aéreas e 3 TDs, além de nenhuma interceptação. Placar final: 34 x 3.

Kyle Shanahan já declarou que Mullens segue titular, e a torcida quer entender exatamente o que esperar disso. Nesse texto espero te ajudar a tirar suas conclusões.


Nick Mullens jogou seus anos de College Football em Southern Miss, um programa de FA que enfrentava problemas em seu plantel e uma baita sequência de derrotas. Após perder as primeiras 6 da temporada, o Qb titular foi barrado e o head-coach pôs Mullens -calouro- para jogar.
Ok, seu primeiro jogo foi péssimo, mas o seu segundo jogo foi bem diferente: Ele se tornou o primeiro Quarterback calouro da história de Southern Miss a passar para mais de 300 jardas, números esse que superaram os de Brett Favre -Qb Hall of Fame, campeão do Super Bowl com o Green Bay Packers- que também jogou na universidade.

Em Novembro daquele ano, Mullens quebraria -como universitário calouro- a sequência de derrotas consecutivas de seu time.
Nick completou sua carreira universitária superando todos os números de Favre, apesar dos problemas que enfrentava esse programa de futebol americano universitário.



Em 2017 foi contratado como undrafted free agent pelo San Francisco 49ers como QUARTO Quarterback do elenco, atrás de Brien Hoyers (horroroso), Matt Barkley (ninguém sabe onde está) e o recém draftado CJ Beathard.

Partindo dessas informações que o mundo já sabe sobre o Qb, o texto começa a ficar interessante:
A reestruturação encabeçada por Lynch e Shanahan decidiu dar uma chance ao Qb que, apesar de não ter ganho nenhum destaque nacional e não ter sido um prospecto aguardado nessa classe de draft, poderia vir a ser lapidado e encontrar sua posição no plantel. As últimas posições do draft (como 6a ou 7a) costumam ser usadas mais como apostas pouco garantidas (ou jogadores de special teams). Como Mullens nem foi draftado e recebeu o seu contrato após os 7 rounds do draft, isso mostra o quão fosco e incerto seria a sua carreira. Ele poderia vir a ser um bom jogador, ou talvez nunca teria nível suficiente para jogar na liga. Os 49ers poderiam corta-lo sem perder nada.

1- Apesar desse status de 'mister irrelevant', dá pra dizer também que Kyle Shanahan não escolheria qualquer Quarterback para seu time. Com um dos playbooks mais complexos e modernos da liga, alguma coisa Nick Mullens demonstrou aos olhos de Shanahan para ter sido feita essa escolha, mesmo que sendo um palpite de zero risco e para ser quarto Qb do time.



2- Mullens chegou a ser cortado por alguns dias, mandado para o practice squad e recontratado algumas vezes desde então. Não vamos focar no fato de ele ter sido posto de lado, afinal o 49ers adquirira Jimmy Garoppolo, e CJ parecia um reserva razoável. Vamos focar no fato de que ele voltou, e continuou como uma opção para Shanahan. Se um undrafted free agent não tivesse um nível para jogar na NFL, seria mandado embora imediatamente, sem doer os bolsos do time. Não foi o que aconteceu. Nick Mullens foi ao training camp, se tornou mais fluente no playbook, provavelmente melhorou seus fundamentos e se desenvolveu para iniciar sua segunda temporada.

3- Work Ethics. Dá pra não dar importância à isso? O mundo não conhece tanto Nick Mullens e eu não posso garantir nada, mas tenho a forte impressão que o jovem quarterback é muito entusiasmado e esforçado quanto a melhorar um pouco todos os dias e conquistar o seu espaço. Percebemos isso na escolha de palavras durante as entrevistas, e também ao analisar aqueles detalhes de sua história.

Um calouro na universidade, se torna titular após o time perder a sexta seguida. Joga muito mal no primeiro jogo; joga muito bem e quebra recordes no segundo jogo. Só aí já dá pra apontar a confiança do técnico num menino de 18 anos. O mesmo menino que (eu não vi o jogo nem o conheço pessoalmente, mas suponha que) se manteve focado em melhorar para garantir seu espaço, estudou com seus técnicos os erros cometidos, pois queria melhorar e entregar um segundo jogo melhor. E assim fez.



Mullens não-draftado, caindo num time em reconstrução na condição de quarto quarterback. Olhou pra frente e determinou seus planos: quer conquistar seu espaço, mostrar para o que veio. Apesar de não estar atrás de Beathard em qualidade, estava em status, e a única forma de mostrar isso era dentro de campo, mostrando seu potencial; e fora de campo, com comportamento e ética de trabalho para estudar o playbook e analisar seus tapes. Eu não tenho nenhuma dúvida que Mullens se mostrou muito estudioso durante esses quase 2 anos no 49ers. Se não tivesse demonstrado essa atitude desde o dia 1, não haveria nenhuma outra chance. Se está lá, é por merecimento. Pôde ter sido selecionado como starter por falta de opção, graças às lesões de seus colegas, mas eu tenho certeza que, nesses dois anos, se ele não tivesse demonstrado empenho e vontade em aprender e se familiarizar ao playbook e estilo de Kyle Shanahan, repito: já teria ido embora. Com certeza Shanahan escolheu um qb em quem já confiava, para iniciar o jogo contra o Raiders.



4- Seu jogo: Mullens é muito superior ao Beathard em identificar e reagir à blitz, além de ter demonstrado precisão e coragem em vários momentos, mesmo jogando contra a pior equipe da liga. É preciso, no entanto, dizer que Mullens hesitou demais antes de lançar passes para recebedores que estavam parcialmente desmarcados. Contra uma maior pressão, e contra uma secundária melhor, com certeza Mullens terá números piores, a menos que Kyle e todo o staff ofensivo o ajudem a melhorar nisso. Talvez seja ansiedade de principiante. Ou não, não dá pra saber.

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Podemos concluir que é perfeitamente aceitável iniciar a hype com o Nick Mullens. Ele nos mostrou muito pouco, mas sua história nos anima a acreditar que ele pode continuar se desenvolvendo.
Óbvio que não estou fazendo nenhuma comparação, mas quando eu penso em ética de trabalho, a primeira pessoa do mundo que eu lembro é Tom Brady. O Quarterback com cinco títulos de Super Bowl, que foi draftado apenas na sexta rodada do draft, conseguiu a titularidade no New England Patriots e escreveu seu nome como o maior da história. O Qb que tem hoje 41 anos e joga em altíssimo nível, nos mostra que não existem limites para quem emprega esforço e dedicação.
Repito que não estou comparando ninguém (vai ter gente me enchendo o saco e serão sumariamente ignorados), mas o meu ponto é: Se Mullens pôr um nível tremendo de dedicação por seu trabalho, poderá se estabelecer como um bom quarterback na NFL. Titular ou reserva. Dentro ou fora dos 49ers. Tudo vai depender de como se desenrolar sua evolução dentro e fora de campo.




Nick Mullens será titular para a próxima partida, segunda-feira, contra o New York Giants, e provavelmente será titular até o final da temporada. Ano que vem, com a volta de Garoppolo, Mullens não continuará titular. Garoppolo foi um investimento caríssimo (que irá ter valido à pena) e é a peça principal da máquina que Shanahan está construindo. Mullens deverá se tornar reserva, ou ser trocado com outra equipe. Se continuar no nível da última partida contra os Raiders, não perderá a posição de segundo quarterback para CJ Beathard.

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