Não é um texto fácil de fazer. Não porque seja difícil falar do Jefferson e sua linda história com o Botafogo, mas porque não deixa de ser dolorido dizer adeus.
Em pensar que nos preparamos pra despedidas anteriormente, e também pra essa, mas ainda assim, demora a cair a ficha.
Por isso, pra que eu possa fazer esse texto sem ficar apenas emotivo, vou fazer diferente, vou começar pelas notas do pessoal ontem (ou você achou MESMO que eu não estaria presente num dia como aquele?)
JEFFERSON - 10.
Dia dele, cada toque na bola e defesa valiam como um gol. Não merece ser diminuído pelo gol tomado, uma bola indefensável (para seu estado atual de goleiro humano) que só surgiu pela falha coletiva da defesa.
MARCINHO - 5
Tentou não comprometer muito atrás, mas se ausentou de aparecer mais à frente.
MARCELO - 4,5
Fez partida fraca, tendo muita dificuldade pra conter os ataques adversários. Fez faltas bobas e errou antecipações, além de vacilar no gol.
RABELLO - 6
Melhor na defesa, foi extremamente seguro nos combates, mas errou passes e precipitou lançamentos. Não teve reação no gol.
MOISÉS - 5,5
Poderia ter tirado um notão, já que deu duas assistências. Mas sua displicência em campo segue nítida e irritante. Péssimo na marcação.
LINDOSO - 3
Absolutamente execrável. Errou tudo que tentou, andou em campo, enfeitou lances de forma displicente, partiu pro ataque e abandonou o meio em diversos momentos. Parece não querer jogar com o garoto Bochecha, e queima o filme do moleque de propósito ao deixá-lo sozinho no combate. É inaceitável que essa porra seja um dos líderes do elenco. Se Jean se mantiver no elenco, Lindoso terá seu banquinho reservado.
BOCHECHA - 5,5
Durante o tempo que esteve em campo, foi preciso em lançamentos, dribles e viradas. Na parte defensiva, sofreu um pouco, por culpa do Lindoso. Ainda assim, apresentou bom futebol.
ERIK - 8,5
Roubou a noite um pouco pra si, com 2 gols de artilheiro. Buscou o jogo, criou lances, e foi o responsável por garantir ao Jeff uma noite mais brilhante. Só pecou no excesso de fome.
VALENCIA - 4,5
Parecia desgastado, sofrendo mais do que já sofre pra correr. Errou lances bobos, fez partida irreconhecível.
LUIZ FERNANDO - 4
Apareceu pouco, deu bobeira na marcação em muitos lances, apesar do esforço. Não foi efetivo em nenhum lance de ataque.
BRENNER - 5
Verdade que a bola não chega, mas quando chega ele se atrapalha. Perdeu um gol feito por firula. Ainda assim, lutou e fez boas puxadas de contra-ataque.
JOÃO PAULO - 7
Que saudade eu tava desse cara! Nosso motorzinho guerreiro voltou, e tem tudo pra ser o capitão em 2019 e nos guiar a mais glórias. Bastou entrar, o time passou a criar mais. Diferente da maior parte do elenco, João Paulo tem talento, raça e faz o simples. Quase marcou um golaço de falta.
PIMPÃO - 4,5
Entrou pra melhorar a apresentação do lado esquerdo, dado que o Luiz Fernando foi mal. Melhorou a marcação, mas só. Tentou cortar uma bola simples com uma bike, pra variar, e acabou sendo atropelado pelo adversário. Foi o momento mais engraçado da partida.
MARCOS VINÍCIUS - SEM NOTA
Entrou no fim, no lugar do exausto Valencia, e não teve tempo pra fazer nada.
ZÉ RICARDO - 6,5
Tentou dar oportunidades pra outros atletas no jogo de despedida, e mexeu aonde havia problemas. Exceto, claro, por manter o Lindoso em campo. Precisa desapegar desse carrapato pra ontem, pois queremos o Zé em 2019.
Agora dá pra falar do Jeff.
Meu primeiro contato com Jefferson foi durante a primeira passagem do Botafogo na série B, aonde sua presença foi decisiva pra que conseguíssemos o retorno à série A. Eu ainda tinha 9 anos, então não compreendia tão bem de futebol.
Em 2009, por outro lado, eu era um botafoguense nato, e de orgulho manchado pelas derrotas pro Flamengo, e vi Jefferson impedir mais um rebaixamento. No ano seguinte, o paredão fez Adriano sentir o cheiro da derrota, com uma defesa emblemática, e um título que lavou a alma.
De 2009 a 2014, nenhum goleiro brasileiro teve performance superior ao Jeff. Afirmo com tranquilidade. Os mais próximos foram Victor (Grêmio e Atlético-MG) e Fábio (Cruzeiro). Curiosamente, ambos os 3 foram terrivelmente injustiçados na Seleção. Fábio sequer foi convocado. Jefferson, por outro lado, se tornou o 47º atleta botafoguense convocado da história, aumentando nosso recorde de maior fornecedor pra canarinha. Com Mano Menezes, Jeff teve prestígio e fez proezas inimagináveis, parando até mesmo Messi.
Com o retorno do Dunga burro, Jeff foi sacado e crucificado pelas falhas de uma zaga escalada com Dante e David Luiz. Era um absurdo de inaceitável.
Não bastasse isso, Jeff ainda viu a porra do dentista estraçalhar as finanças do Botafogo. Viu Seedorf usar o clube como catapulta pra projetos pessoais e levar dinheiro de atletas (e muito por isso questiono DEMAIS a idolatria dada ao holandês). Jeff viu um clube que passou anos direto na briga por Libertadores virar um frangalho devedor de salários, na série B novamente. Ele poderia ter ido embora. Ele poderia ter feito sua carreira decolar de forma que o Dunga não pudesse rejeitá-lo.
Ele preferiu o Botafogo. Ele quis ficar pra nos ajudar. Ele trocou títulos de mais expressão em clubes mais estruturados, mais visibilidade pra Seleção, TUDO, pela glória de seguir no time que amava (e ama). Se você não é capaz de entender esse sentimento, não é porque você não é botafoguense. É porque você é esse torcedor de futebol moderno, modinha, que só bota a camisa na vitória e some nas derrotas. Você é esse zé ruela que não sabe o que é a paixão do futebol, e, portanto, NÃO MERECE se dizer torcedor. Você que só vive de números JAMAIS vai entender o que a paixão significa, e porque ela merece respeito. E, pro bem do esporte, espero que você fique longe de todos nós.
Enfim, Jeff nos levou de volta à série A com mais um bom ano. Em 2016 em diante, passou a ser acometido por lesões. Sofreu com o DM incompetente. Viu o monstro Gatito chegar, enquanto sua elasticidade e impulsão diminuíram. Jeff falhou em ocasiões preocupantes. A idade bateu à porta. Sentiu, com a humildade característica, que era a hora de parar. Tocar sua vida pessoal.
Jefferson, por vezes o time do Botafogo e sua diretoria não fizeram por merecer você. O clube, porém, te fez um gigante, e tem orgulho de ter você como uma estrela. A gratidão que tenho a você, como ser humano e torcedor, é enorme e indescritível. Não me importa se você não foi melhor ou maior que o Manga, me importa que você é um dos caras que me fez ter ainda mais orgulho do meu time. Você defendeu nossa bandeira em cada salto. E por isso, só posso dizer: Obrigado!









