Fala meu povo corneta! Peço perdão pela ausência longa, foram semanas intensas de correria devido a questões como estágio, burocracia, prova do mestrado, tudo isso junto com o TCC (que quanto mais próximo de acabar, menos consigo sentar pra fazer). Mas, vim num bom momento: no pico da reação alvinegra no campeonato brasileiro.
Ao que parece, nossas chances de rebaixamento agora são ínfimas e, devido a tabela jogar os candidatos mais ameaçados contra si, tende a se confirmar nossa permanência. Mas, botafoguense que é botafoguense só se permite relaxar quando a matemática disser que a chance de queda é zero. Sabemos, mais do que ninguém, que o "Botafogo desafia a lógica mundana" é pra bem E pra mal. Portanto, ainda não cantamos vitória.
Se é que dá pra chamar de vitória uma permanência na série A, mas nossa realidade financeira e estrutural é tão triste, que de fato, soa dessa forma.
Bom, chega de pessimismo. Quero analisar aqui a boa sensação que o rendimento atual do Botafogo vem trazendo. Fiz uma lista com os motivos que enxergo como principais para explicar a guinada da equipe, com as 3 vitórias seguidas contra Corinthians, Flamengo e Chapecoense:
1 - A trinca LEV: Luiz Fernando-Erik-Valencia
Demorou um pouco pra que os 3 conseguissem jogar bem em conjunto, mas finalmente encaixaram. Esses 3 jogadores, ao longo do ano, foram os mais decisivos para a construção de jogadas do time. As oscilações individuais dos 3 faziam com que nenhum técnico tivesse a certeza se valia a pena utilizá-los sempre como titulares.
Acontece que, em termos técnicos, não há NENHUM atleta no elenco que supere os 3 na parte técnica, ofensivamente falando. Ao menos tirando o João Paulo da conta, já que ele praticamente não atuou no ano, e também o Kieza, que é atacante e não é responsável pela criação (e bom, particularmente, perde muito gol também). Em outras palavras, são o melhor que temos, e a melhor opção pro time conseguir fazer gols é escalar o que tiver de melhor.
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| Erik e Luiz Fernando: Juntos com Valencia, passaram a render mais e têm sido mais solidários. O resultado é um contra ataque fulminante do Botafogo contra adversários desprecavidos. Fonte: Uol |
Luiz Fernando e Erik reduziram sua dose de fome, e estão se aplicando mais na recomposição pelas pontas, o que aliviou bastante a vida dos nossos laterais, que sempre tinham que encarar dobradinhas. Seguem sendo os atletas mais habilidosos, definindo o um contra um e abrindo espaço nos dribles, criando oportunidades. Leo Valencia, por outro lado, ainda é o garçom de ouro da equipe. O entrosamento com os pontas levou a maior precisão de seus passes, em assistências cirúrgicas e decisivas nos últimos jogos.
2 - O DM tomou vergonha: O retorno triunfal de Gatito
Quem lembra do texto passado vai lembrar que eu cobrei FORTEMENTE (pra não dizer outra coisa) o departamento médico do time. A eliminação da Sulamericana passou, de forma clara, pela falta de um goleiro minimamente capaz de decidir (tanto na ida, com os 2 gols facilmente defensáveis tomados, quanto na volta pros pênaltis). Não apenas, após aquela tragédia contra o Bahia, o time oscilou muito de rendimento muito em razão de tomar gols desnecessários, o que é fatal pra um elenco que tem dificuldade de produzir ofensivamente. Empates horrorosos, derrotas evitáveis (especialmente contra o Atlético-PR, oficialmente um time de fascistas pelo visto), proximidade da zona...tava foda de aturar.
Foi então que, contra o Corinthians, a esperança renovou: Gatito estaria de volta. Tive preocupação forte da possibilidade dele estar indo ao jogo ainda fora do momento ideal, como um quebra-galho pra resolver pro time (e um atestado da incompetência do DM). Mas, Manga abençoou: Gatito não apenas estava em plena forma (algo relativamente incomum pra ele, que costuma levar algumas partidas pra se recuperar após pausas. Só lembrar do começo dele pelo Botafogo pós férias de 2016, aonde algumas falhas rolaram e a primeira impressão deu desconfiança até aquela decisão épica contra o Olímpia), como ainda voltou fazendo defesas absolutamente impossíveis, garantindo o 1 a 0 naquela partida.
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| Gatito: Retorno triunfal pra decidir pelo Fogão e recuperar a confiança da equipe. Fonte: Extra. |
Outro ponto importante é que, com sua presença, a zaga fica mais tranquila pra jogar, diminuindo a tensão que carregavam com Saulo. Isso ajudou Carli e Rabello a focarem em seu trabalho: cortar jogadas e combate mano a mano. De forma parecida, os adversários arriscam menos chutes despretensiosos, sabendo que vão precisar trabalhar mais pra vazar o paraguaio.
Vale mencionar também que o DM também recuperou Jefferson e Leo Valencia (influenciando no primeiro tópico), mas precisa melhorar seu trabalho com Jean, que é titular absoluto e faz muita falta sempre que se lesiona.
3 - A eliminação da Sula: Um mal necessário pela Série A
Foi horrível aceitar a eliminação para o Bahia, da forma que foi. Merecíamos MUITO mais a vaga, temos mais time e teríamos condições de bater o time de fascistas. Porém, é só olhar a oscilação de desempenho do Fluminense e do Patético no Brasileiro pra ter CERTEZA de que se ainda estivéssemos na Sula, essa sequência de 3 vitórias não seria possível.
Mais que isso: é bem provável que tivéssemos mais atletas lesionados, mais resultados negativos, menos entrosamento.
A verdade é dura e simples: devido a nosso primeiro turno sofrível e nosso elenco de baixa qualidade, avançar na Sulamericana seria aumentar progressivamente nosso risco de queda. Talvez ano que vem essa relação não seja assim tão fatal, mas neste ano, me convenci de que não teríamos pique pra aguentar. Tanto que passamos o Fluminense.
4 - O embalo da atmosfera: Promoção de ingressos no Nilton Santos e a confiança adquirida
Já são algumas partidas em sequência que a diretoria coloca os ingressos a preços absurdamente baixos (ao ponto de gerar prejuízo mesmo com bom público em algumas partidas). Com públicos acima dos 20 mil (costumeiramente, mal bate 10 mil em jogos não cotados como importantes), a torcida fez sua parte e empurrou o time. A partir do primeiro resultado positivo, criou-se uma confiança na possibilidade de recuperação. Depois de uma vitória pragmática contra o Corinthians, a atuação maravilhosa diante do Flamengo foi uma injeção absoluta de ânimo no time e na torcida: o Botafogo não apenas foi soberano e desperdiçou a chance de aplicar uma goleada, mas ainda destruiu completamente as chances de título do rival, que foi obrigado a passar mais um ano de cheirinho.
O resultado? Contra a Chape, mais um jogo de frieza e inteligência, decidido no detalhe. Com isso, faltam 4 jogos, são 7 pontos de diferença para a própria Chape, primeira da zona. E tanto esta quanto todos os outros times ameaçados do rebaixamento jogarão desesperadamente entre si ou contra adversários brigando pelo G6. Se a lógica acontecer, em 2 rodadas saberemos que estamos livres. Mas pode ser antes: A confiança injetada neste elenco permite a ele pensar em vitória contra o Inter, em dia de casa cheia a nosso favor. E esse resultado ocorrer, será possível pensar em melhores colocações, e portanto, melhores premiações ao fim do campeonato.
Demorou MUITO, mas Zé Ricardo desistiu de insistir em peças que não rendem (exceto na falta completa de opções, em funções de suspensões e lesões). O displicente Moisés, por mais técnico que seja, tomou seu lugar no banco (e na provável barca do fim de temporada). Renatinho quebrado, só entra em fim de jogo pra tapar buraco. João Pedro foi abandonado de vez (aleluia). Aguirre perdeu espaço e vai ter que ralar muito pra soar merecedor de novas oportunidades (vejamos a temporada que vem se vale a pena) Só de ter isso em mente, já foi possível manter um time que pudesse se entrosar, sem arriscar utilizar peças inúteis pra qualquer esquema tático.
Além disso, ao promover a permanência do esquema com 3 meias, Zé poupou Bochecha de ser queimado sem necessidade, e preservou Matheus Fernandes como opção pra situações táticas. Pimpão entra quando um dos pontas cai de rendimento, mantendo a recomposição. Brenner, enrolado, faz o papel do Kieza razoavelmente bem, na ausência do último. O time se desenhou pro Zé da forma que ele precisava ser, e finalmente o teimoso leu o desenho e concordou. O time é esse mesmo: fechado, explorando espaço do adversário, matando o jogo em contra-ataque e bola parada. Ponto. Se tiver melhoria no plantel, aí sim pensa em mudar. Mas até lá, é isso e ponto.
Agora, restam algumas contas. Mas, com sorte e competência, poderemos parar com as contas e pensar 2019 (
Saudações alvinegras!



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