Esporte na língua do povo, sem rabo preso e sem modismo, no amor e ódio eterno do torcedor raiz.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Que venha a S/A!

Peço desculpas, mais uma vez, pela lerdeza pra acompanhar e postar sobre o nosso Botafogo. Manter esse hábito vem sendo uma tarefa bem difícil. Mais ainda ir ao jogo, fato que fiz questão de fazer agora no fim do campeonato, depois de pouco mais de um semestre (!!) de isolamento em função do mestrado. 

Não que o Botafogo também tenha incentivado. Desde a parada pra Copa América, o rendimento do time caiu de forma assustadora. Fruto, de maneira geral, de 2 fatores principais: a falta de variações táticas de Barroca, que por mais que tivesse o elenco na mão não sabia como responder quando seu esquema era anulado; e os atrasos salariais que a péssima diretoria impôs ao elenco, retirando a motivação necessária para o time fazer um campeonato tranquilo. 
Não fosse o Barroca, aliás, estaríamos rebaixados. 27 pontos com um elenco tão ruim como o nosso é um milagre. Sua demissão foi absurdamente injusta, e se seguiu de um mal-estar geral causado pelo vazamento de áudios de Whatsapp onde o nosso figurão Montenegro detona o elenco. 

Curiosamente, parece que a confusão foi o que precisava pra que o cartola tomasse as rédeas da situação, metendo grana do bolso pra quitar as dívidas mais urgentes, auxiliando na obtenção de crédito e escalando seus parceiros em funções importantes - substituindo os incompetentes de outrora. Montenegro trouxe o perdido Valentim para comandar o elenco no restante da temporada: a única opção aceita pelo elenco, que defendeu Barroca na ocasião da demissão. 
Honestamente, se tivéssemos contratado Valentim antes, é provável que nem a gordura que o Barroca nos deu seria suficiente. O time perdeu o pouco padrão tático que tinha, vivendo de chutões. O único mérito que dá pra reconhecer no cosplay de Superman é que não teve medo de barrar os medalhões, que se viram obrigados a correr atrás e renderam melhor quando exigidos (caso notável do Diego Souza) enquanto ele botou a boa garotada da base de General Severiano pra dar as caras, e a garotada decidiu. 

Estamos salvos. A S/A, que soava mais assustadora e perigosa do que salvadora, hoje já se esclareceu como a única saída viável para a recuperação do clube em curto prazo, bem como ficou de demonstrado que os riscos e ameaças (vulgo, investidor fujão e desarranjo da identidade do clube, caso do Bragantino) são impossíveis de se concretizarem. Ano que vem, teremos dinheiro pra começar a reduzir fortemente nossas dívidas e impedir as penhoras, o que necessariamente nos dará fôlego para montar um time razoável, que fará um bom Carioca (sempre possível disputar o título) e uma boa CDB (precisamos desse título, mas ainda não somos a força pra chegar), além de um brasileirão tranquilo e sem sustos. Nos anos vindouros, o aporte de dinheiro vai garantir que montemos elencos robustos e fortes para peitar todos os adversários e torneios possíveis. 

A S/A vem aí. 2019 é pra se esquecer. Agora é voltar as glórias. Foto: Lance. 

Mas até lá, nos cabe a paciência e a persistência que nos são típicas, torcedor alvinegro. Foi a torcida do Botafogo, na base do gogó, que salvou o time nesta temporada. Que a consciência desse fato mantenha a torcida engajada, empurrando o Glorioso rumo à glória que lhe cabe. E que a porra do grupo Mais Botafogo cometa suicídio coletivo, e fique LONGE de General Severiano pro resto da eternidade. 

Sobre o jogo: Valentim escalou de sacanagem um time que já vinha desfalcado. Não obstante, mexeu muito mal. Uma vez que sabia que precisava vencer para pelo menos TENTAR se classificar pra Sulamericana, precisava ser mais ofensivo e cobrar o time. Ficou à beira do campo com poucas broncas. É bem verdade que o empate do Ceará só aconteceu porque o VAR INVENTOU UM PÊNALTI. Mas independente disso, era possível fazer mais um gol hoje e, mesmo sem o Corinthians colaborar em derrotar o Fluminense, ao menos reduzir o desgosto da despedida da temporada que já foi um sofrimento amargo. O que sobrou, além dos protestos da torcida contra a diretoria e Valentim, foi poder zoar o Cruzeiro e o desgraçado do Sassá, além do apelo pro Gabriel ficar. Mas vamos às notas:

CAVALIERI - 6
Não teve culpa no gol, um pênalti inventado. Foi bem quando exigido. 

MARCINHO - 5,5
Esteve atento na maior parte do jogo, buscou o ataque quando pôde, mas permitiu jogadas nas suas costas. Teve azar em algumas boas iniciativas, com toques que os companheiros não acompanharam. 

MARCELO - 6
Vontade e aplicação não faltaram. Foi o ano de afirmação de que merece ser titular do elenco. 

GABRIEL - 6
Outra partida relativamente segura. Precisa ser a primeira compra da S/A. 

LUCAS BARROS - 4,5
Fraco, não está preparado pra jogar no profissional ainda. Pouco contribuiu no ataque e na defesa.

JEAN - 4
Sempre que volta a ter uma chance para provar que sua marcação e velocidade podem fazer a diferença no meio, passa o jogo inteiro circulando atrás do nada e atrasado pra marcar. Tá na hora da barca. 

JOÃO PAULO - 6,5
Melhor em campo, foi o principal articulador de jogadas ofensivas e buscou o jogo o tempo todo que esteve presente, além de marcar bem. Sua substituição foi mais um atestado de burrice de Valentim.

MARCOS VINÍCIUS - 5
Ficou sumido e perdido como sempre, até que em boa jogada de Luis Henrique apareceu na área como elemento surpresa e fez o gol. Pra variar, se lesionou no lance. Não fosse o gol, mereceria nota 4 ou mesmo abaixo. 

RHUAN - 6
Buscou, sambou, inverteu lados, foi pra cima. Não foi tão acionado pela falta de capacidade técnica do time em fazê-lo, mas quando presente tentou levar o time à frente com boa velocidade.

LUIS HENRIQUE - 6,5
Ótima partida como titular para a idade e o contexto. Rabiscou bastante, carregou a bola com velocidade e fez a jogada do gol. Mostra muita consciência de jogo, lendo bem a marcação e a movimentação dos companheiros.

VINÍCIUS TANQUE - 3
Inútil, lento, burro, imprestável. Sua morte fará bem ao futebol e ao universo.  

LUCAS CAMPOS - 3,5
Nulo, entrou no lugar do asmático lesionado. Não viu a cor da bola e não foi efetivo na recomposição. Mais um que precisa voltar pra escolinha. 

YURI - 6
Diferença pro Lucas Barros é gigantesca. Está mais maduro e mostra ter mais futebol. Seu começo no banco foi mais uma afronta do Valentim. 

WENDERSON - 5
Não tem o perfil do João Paulo, então não se podia esperar que contribuísse ofensivamente. Apesar disso, até tentou. Não foi tão mal na marcação. 

VALENTIM - 2,5
Atipicamente passivo, começou o jogo com uma escalação bisonha ao dar a titularidade para o verde Lucas Barros e o rei do chinelo Marcos Vinícius. O time segue sem padrão tático algum, dependendo de balão pra frente. Nas substituições, resolveu "punir" Valencia pela indisciplina da partida anterior ao entrar com Lucas Campos no lugar do chinelo MV. Acabou punindo o time, que conseguiu ficar mais disperso no ataque. Não fosse o bastante, tirou o melhor em campo e único organizador de jogadas. Morreu abraçado com Vinícius Tanque. Foi vaiado e a torcida clama por sua saída. 


Agora, amigos botafoguenses, resta esperarmos e fazer pressão pra que a transição para a S/A aconteça, custe o que custar. Existem 5 coisas que PRECISAM ACONTECER já para o ano que vem, para garantir que os próximos 2 ou 3 anos nos façam ganhar fôlego pra voltar a disputar títulos grandes. Segue a lista:

1 - Renovação completa do corpo técnico/diretor: A profissionalização por si só não basta, é necessário excomungar os membros da Mais Botafogo e todo seu aparato de incompetentes. Isso permitirá que se resolva, por exemplo, a questão do Nilton Santos e seus prejuízos misteriosos (o custo do estádio soa muito mais alto do que realmente era há poucos anos. Tem algo de errado na história). Existem duas áreas técnicas que também demandam trocas imediatas: Departamento Médico/Preparação Física e Marketing. O time precisa recuperar jogadores, ter um time que dure os 90 min em alta intensidade na temporada, e o clube precisa melhorar a sua captação de dinheiro e exposição dos patrocinadores, fator decisivo para a entrada dos investidores. 

2 - Renegociação das dívidas: Sem isso, seguiremos afogados. Especula-se que a S/A seja capaz de levantar 200 milhões de cara: se metade disso for aplicado em zerar os débitos trabalhistas e empréstimos mais urgentes, ficaremos em dia com o Profut e livres de penhoras. 

3 - Contratações inteligentes, pontuais e para elevar o nível: Gabriel é a primeira. Erik é um nome que agrada voltar, mas existe o risco do fator futebol asiático. Há uma série de opções. O importante é que não precisam ser contratações caras, mas que garantam montar um time decente que, mesclado com a garotada, dê base para evoluir aos poucos. 

4 - Demitir Alberto Valentim. Das opções brasileiras, eu fecharia com o Ceni pra ontem. Cuca é muito caro e tem feito péssimos trabalhos, apesar de gostar muito dele. De resto, é alguém de fora. Meu sonho é o Gallardo, do River. 

5 - Gestão de elenco: Separando nas seguintes partes;
- Garantir permanência: Gatito, Cavalieri, Gabriel, Marcelo, Kanu, Marcinho, Yuri, João Paulo, Bochecha, Luiz Fernando (sim, pode render ainda, e nessa vibe incluo Lucas Barros, Wenderson e Lucas Campos), Rhuan. Luis Henrique, Igor Cássio;
- Considerar permanência sob condições: Carli (será reserva), Gilson (reserva e salário reduzido), Alex Santana (avaliar recuperação física durante a pré-temporada);
- Dispensar: Valência, Diego Souza, Fernando (não vale segurar), Jean, Victor Rangel;
- Expulsar na base da porrada: Cícero, Marcos Vinícius, Vinícius Tanque. 


É isso. Prometo que ano que vem estarei mais presente para relatar minhas impressões do Botafogo
Grande abraço a todos! A S/A tá vindo aí!

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Barroquismo, Moreira Salles e o fim de ano antecipado

Faz um século que não escrevo aqui!
Peço humildes desculpas a quem ficou esperando (houve?) mas equilibrar mestrado e trabalho é uma tarefa muito mais complexa do que eu pensava que seria. 
Em função disso, trago hoje um texto giganórmico e porradeiro, com algumas verdades e ressalvas necessárias pra dizer sobre os últimos meses do Botafogo nas diferentes competições que participou e participa, além da situação do clube como um todo. 

Comecemos, claro, pela performance do futebol antes de qualquer outra coisa. Como cantado há alguns meses por aqui, Zé Ricardo foi demitido depois de muito forçar pra que acontecesse. Sua teimosia e total incapacidade de motivar a equipe resultaram numa trágica e vergonhosa - porém não inesperada - eliminação contra o Juventude
No olho do furacão, Barroca, o exímio técnico que guiou a categoria de base em 2016 ao título brasileiro, finalmente veio assumir o lugar que muitos da torcida acreditavam há anos que lhe fosse cativo. 
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Barroca: Energia, simplicidade e senso crítico o destacam na comparação com os técnicos anteriores. Faz o que pode com um elenco enxuto e fraco, mas já convive com contestações (razoáveis) a algumas decisões de jogo. Dá a cara à tapa e mostra que pode sim ser vencedor pelo profissional do clube. Foto: Jornal Atual. 

Barroca possuiu algumas diferenças em relação a média dos treinadores que têm passado pelo Botafogo (e até pelo futebol brasileiro como um todo). Acredita fielmente na filosofia do tiki-taka (algo do que eu discordo um pouco, embora haja grande potencial de uso do esquema no Brasil, sobretudo na base), o que significa que pro Barroca não adianta ganhar, tem que convencer. Suas entrevistas reforçam isso. "Vencer jogando um futebol bonito, que chame a torcida e dê orgulho de ver"

Destaco a segunda parte, aproveitando o gancho. Barroca entende - como POUCOS - a responsabilidade que o clube e o elenco do Botafogo têm com sua torcida. Diferente da mídia - que não apenas ajudou a menosprezar o Glorioso no imaginário popular (mágoa de Garrincha é forte) como ainda volta e meia faz questão de tentar culpar a torcida pelos fracassos do clube (no caso mais recente, um comentarista bem clubista atacou diretamente a torcida após o clássico contra o Flamengo; onde a diretoria rubro-negra MENTIU sobre a disponibilidade de ingressos, mencionando esgotamento na sexta e reabrindo a venda no domingo na hora do jogo, com aval e cumplicidade da PM) - e dos treinadores conformistas que têm passado por aqui, Barroca entende que o torcedor botafoguense já sofre demais na mão de uma diretoria bagunceira e inoperante, que contrata jogadores medíocres e só se endivida mais. 

Não há incentivo para o torcedor alvinegro frequentar o estádio além da paixão, e ainda na base da paixão a torcida vai e mantém o apoio! Ingressos caros, time ruim, diretoria estúpida, e estamos lá. Reconhecer que somos os últimos culpados (ainda que sim, exista uma parcela grande de Sofáfogo e gente oba oba da Libertadores) é talvez o principal mérito de Barroca. Sabe se comunicar com a torcida e sabe passar esse senso para os jogadores, que compraram o discurso e têm evitado discursos comodistas. Além disso, ter uma filosofia de jogo bem definida é algo que falta em muitos medalhões brasileiros. Barroca diz: "Imagina que você entra numa briga e cada um tem um tempo pra usar um porrete (...) eu vou querer usar o porrete o máximo de tempo que der. O cara pode me acertar no queixo uma vez e me arrebentar ali, sim, mas a chance de eu derrubar ele é maior (...) a bola pra mim é um porrete". A analogia, embora simples, é direta e divertidamente genial, do tipo que um jogador gosta de escutar e assimila rápido. 

Por outro lado, Barroca também tem similaridades com os técnicos típicos que aqui passam, leia-se, teimosia. Vá lá, façamos o desconto de que o elenco é definitivamente enxuto e muito limitado em termos técnicos. Ainda assim, a insistência em determinadas peças não têm se justificado. Barroca tem escalado Alex Santana constantemente fora de posição, com Cícero - jogador fundamental, mas que não têm condições de jogar 90 min, portanto deveria ser banco - e João Paulo, fracos na marcação e lentos na transição, titulares e ocupando o mesmo espaço do campo. Embora a proposta de fato seja ter mais a bola e evitar assim os ataques adversários, isso não isenta o time de ter velocidade para retomar bolas perdidas - e portanto, ter jogadores que saibam morder - e puxar contra-ataques nessas ocasiões. O resultado é um time que até sabe criar, mas que têm dificuldade pra aproveitar as oportunidades pois chega com poucos homens ao ataque - o meio não acompanha a jogada em velocidade - e que sofre muito na recomposição, algo que fica escancarado com as bolas perdidas na defesa (que decidiram, inclusive, MUITOS dos jogos em que o Botafogo saiu derrotado). 
Não somente, Barroca também não é lá um milagreiro: apesar de ter conseguido fazer Cícero, Marcinho e Gilson voltarem a render minimamente, bastou os salários atrasarem mais um pouco para que perdesse o brio do elenco em algumas partidas. Não é culpa dele nem dos jogadores, que têm o direito de não se sentirem motivados ante a inoperância da diretoria. Mas talvez a pouca bagagem no profissional faça com que, apesar de ser capaz de motivar, Barroca ainda não tenha encontrado o tiro certo pra botar sangue nos olhos de veteranos encostados do mundo da bola. 

Em termos de resultados, a pausa pra Copa América foi ingrata com o Botafogo, entregando a perda de Erik (eu odeio o Palmeiras e o mundo precisa que esse clube seja destruído) e uma queda de rendimento bizarra. O time que vinha de bons resultados (7 vitórias em 11 jogos, sem mencionar que a derrota para o Palmeiras foi no roubo) teve um empate contra o Cruzeiro e agora 4 derrotas seguidas (ok, temos que destacar que contra o Flamengo fomos CLARAMENTE garfados pela arbitragem e ainda fizemos um ótimo jogo, e contra o Atlético-MG, na Sula, massacramos o 1º tempo da volta mas perdemos de bobeira). Aliás, fica o parêntese, o Botafogo foi o termômetro claro pra indicar que o VAR escolhe lado no Brasil (claro, o lado dos endinheirados). Em termos de bola, mesmo, o time alvinegro oscila. Fisicamente e tecnicamente. Mas Barroca de fato deu alguma filosofia ao elenco. Resta saber se, com possíveis contratações (Blandi e Aimar, se a diretoria não tiver cagado no pau de novo) e alguma aprendizagem de Barroca (que precisa voltar a escalar Bochecha, Jean e Valencia, que pedem passagem nesse time titular fraco), isso será suficiente para sobrevivermos até o final da temporada. Os números não são ruins (ao menos não tanto quanto se esperava de tal elenco), e ficou claro que o time consegue fazer frente mesmo aos melhores elencos do Brasil. 

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Elenco combalido, mas capaz de fazer frente aos milionários: saída de Erick joga sobre o resto do elenco a necessidade de se fechar mais ainda em prol do clube e eventualmente ver a recompensa disso no ano que vem. Partida da volta contra o Atlético-MG e o clássico garfado contra o Flamengo provam que é possível. Foto: Vitor Silva/Botafogo. Fonte: FogaoNet.

Nesse sentido, com a eliminação precoce na Copa do Brasil e uma eliminação evitável na Sulamericana, o ano do Botafogo praticamente se encerrou (supondo que mantenhamos o ritmo oscilatório e isso seja suficiente pra não termos que evitar um Z4). Contudo, talvez seja o encerramento mais agridoce possível: sem títulos, com o medo de evitar uma série B, mas com uma notícia que joga esperança no coração (da maioria, ao menos) dos alvinegros - a aprovação do projeto dos Moreira Salles.

Vou pontuar sobre esse projeto, em prós e contras. Pra quem não sabe, é preciso primeiramente detalhar melhor o que é que vai acontecer, de fato:

  • O projeto foi encomendado pelos Moreira Salles, mas não será encabeçado somente pelos mesmos. A ideia é que investidores se reúnam e decidam pelas quantias necessárias, tornando-se acionistas conjuntos. É possível, não garantido, que os Salles sejam majoritários. Novamente, não há nada que garanta, é apenas um indicativo;
  • O projeto é criar uma empresa/entidade, estilo Botafogo S.A. Essa empresa passaria a ter controle sobre todos os ativos do FUTEBOL do Botafogo. Jogadores, contratos, receitas do uso do Nilton Santos, renda do sócio-torcedor, entre outros. Em contrapartida, ela arcaria com a dívida do clube (total ou parcialmente);
  • O clube manteria o controle e gestão sobre os outros esportes olímpicos e sede. Entretanto, os sócios e sócios-proprietários perdem bastante em termos de poder de decisão junto ao futebol (se é que não perdem completamente esse poder);
  • Se não me engano, o contrato duraria uns 30 anos. Após isso, todas as posses do futebol voltariam ao Botafogo, incluindo receitas e eventual resto de dívida. A proposta inicial é derrubar a dívida dos 700 para os 300 milhões. Sem mencionar orçamento para investimento anual no time na casa de 30 milhões ano (algo que banca BONS salários em um número razoável...podemos esperar uma melhoria franca da equipe).
Agora, sim, vamos passar aos prós e contras que vêm por essa questão. Alguns já foram aventados, mas eu vou detalhar melhor. 

Prós:
  1. O desafogo completo do clube em curtíssimo prazo, algo que seria impensável em outras soluções. Mais que somente sair do vermelho, o Botafogo seria impedido de piorar a situação, ao ser acompanhado por um comitê de transição que injetaria algum dinheiro para garantir a mudança no estatuto do clube e a reestruturação, bem como a atualização de documentos frente à CBF e outras entidades organizadoras dos torneios, em prazo adequado.
  2. Em função de 1, será possível montar times DIGNOS de vestir a Estrela Solitária e eventualmente disputar títulos grandes.
  3. Em função de 1 e 2, JÁ SE NOTA UM EFEITO ATRATIVO NO SÓCIO-TORCEDOR. Embora a torcida seja fiel, é notável que parte dos alvinegros seja muito oba-oba. Boas notícias tendem a trazer os torcedores, que gastam mais com o clube. E esse gasto é o que atrai os investidores. 
  4. A possível recolocação do Botafogo no seu devido lugar de gigante no futebol brasileiro e sulamericano. Não apenas pela maior possibilidade de disputar títulos, mas por um lado perverso (porém real) da bola: mais endinheirado, o alvinegro terá poder de fogo pra responder os setores de mídia que o perseguem - banindo, assim, os clubistas ou magoados que insistem em apequená-lo ou atacá-lo - mas principalmente fazer frente aos complôs dos queridinhos da CBF e Conmenbol. 
  5. A profissionalização da gestão do futebol implicaria, possivelmente, em maior transparência, em função do retorno necessário para os investidores e outros stakeholders envolvidos no negócio. 

Contras:
  1. Vale estudar a questão, mas é possível que ao final da história o Botafogo ainda tenha lá o seu potencial de dívidas, que podem não ser sanáveis sem o devido angariamento de receitas. É extremamente importante que o projeto gere receitas para o futuro do Botafogo, não apenas para cobrir o investimento feito e dar lucro aos acionistas. 
  2. Seguindo na linha de 1, é ainda mais importante que os acionistas tenham em mente que a gestão dos ativos do clube não se dá apenas por questões financeiras. Um dos ativos mais importantes são os jogadores, e se não houver um grupo especializado no tratamento desse ativo, é possível que continuemos a assistir pratas da base e craques do time sendo vendidos ou a preço de banana ou em momentos completamente inoportunos, quebrando o rendimento do time e a possibilidade de valorização futura. Não somente, passes e salários altos não implicam em futebol de qualidade. O Botafogo não pode cair na armadilha de gastar muito só porque passou a ter, e acabar adquirindo os refugos da Europa e os medalhões da aposentadoria. 
  3. A torcida será definitivamente afastada da gestão do futebol. Isso quer dizer que o poder de contestação frente a decisões da diretoria diminuirá drasticamente. Além disso, protestos e cobranças enérgicas podem vir a ser criminalizados. Há um lado positivo nisso: bandidos, fascistas e politiqueiros envolvidos nas organizadas seriam completamente excluídos, desestimulando o envolvimento desses tipos na torcida. Porém, isso coloca uma mordaça no resto da torcida também. 
  4. Seguindo por 3, se demonstrada ingerência ou má-fé do grupo gestor, não haverá meios da torcida retomar o controle do clube. Pior: eventuais más fases futebolísticas podem culminar em desvalorização de ativos e perda de receitas, fazendo com que alguns investidores vendam suas cotas e pulem fora, ajudando a afundar o barco. 
  5. Em função de 4, ficamos extremamente vulneráveis na mão do grupo gestor. No Bahia, houve um processo forte de democratização do clube. Mais que uma utopia de gestão coletiva, isso resultou no reerguimento do clube, que vem ano após ano melhorando o patamar da estrutura, do elenco e de seu projeto. Esse tipo de modelo era muito mais interessante para o Botafogo no longo prazo, mas em função da situação catastrófica atual, ficou inviável de se propor (embora, honestamente, eu tenho certeza que seria um fracasso no cenário atual não pelo dinheiro em si, mas pela quantidade absurda de fascistas e retardados mentais dentro dos setores proeminentes do Botafogo). O problema é que ao enveredarmos pelo clube-empresa, dificilmente teremos a opção da democratização próxima
Bem, como exposto, há uma série de grandes prós e de contras problemáticos. Mais detalhes podem ser vistos em:

Diante disso tudo, eu entendo da seguinte forma: não há opção de curto prazo mais viável que aceitar o projeto, como foi aceito. Entretanto, cabe ao clube se resguardar em estatuto e na composição do comitê gestor de transição, para garantir o respeito à instituição e principalmente ao seu torcedor. E tudo isso com a devida transparência. 

Até que tudo se concretize (crê-se que em 2020), temos que fazer o que nos for possível para seguir apoiando o Glorioso e garantir um resto de temporada minimamente tranquilo (ou pelo menos, não vexatório). Foi um ano, até aqui, de decepções ingratas e amadorismo galopante. Que isso seja o fim da tempestade, de uma vez por todas. 
Saudações alvinegras!

domingo, 7 de abril de 2019

Corda no pescoço

Olá cornetas, desculpe pela demora pra voltar a postar. A vida anda bem corrida, e infelizmente, mais corrida que o meio campo do Botafogo. Eu queria aproveitar pra começar o post de hoje com um print de um esqueminha básico e fácil de entender que eu havia feito para o time no post passado. Segue:

4-2-1-3 que eu havia bolado à época, Diego Souza ainda era boato. A ideia era simples: ter o melhor de cada posição como titular, posicionando o Pimpão na direita (em caso da fase) pra cobrir o Marcinho e dando liberdade ao Santana para avançar tabelando com Érik e Valencia. 

É uma escalação bem fácil e óbvia de entender, se você entende de futebol. Os melhores jogadores disponíveis em suas posições, jogando num esquema que contra-ataca pelas laterais e congestiona a saída de bola adversária. Cícero e João Paulo, embora mais técnicos para a saída de bola, não são tão bons na marcação e ocupam a posição do Alex Santana, que não pode ser barrado em hipótese alguma com seu chute de fora da área (as pessoas não valorizam esse recurso, mas o futebol moderno dá cada vez menos espaço para jogadas articuladas, é necessário ter um bom chutador de média distância). Dessa forma, seriam peças situacionais, de acordo com o requisito do jogo. João Paulo ainda quebraria um galho de meia na eventual perda do Valencia por lesão (sei que o anão desperta amores e ódios, mas o fato é um só: nenhum outro jogador do elenco botafoguense consegue atuar como camisa 10 além do chileno, foi nosso principal jogador de linha ano passado. É aturar o cara até que se contrate ou revele melhor). Ainda teríamos o coringa Bochecha, que por mim teria mais uso que o Cícero, até porque precisamos lapidar e botar ele na vitrine pra fazer caixa mais à frente. 
Todo e qualquer treinador poderia ver que, com as peças disponíveis do Botafogo hoje, isso é o que se pode fazer de melhor com o elenco. Tecnicamente e taticamente, sem sombra de dúvidas. 
Mas Zé Ricardo parece não ser como todo e qualquer treinador. E isso não foi um elogio. 
Chapecoense x Botafogo - Zé Ricardo
Horas contadas? Pra mim, com certeza: Zé Ricardo está afundando o já limitado time do Botafogo. Ou muda radicalmente suas escalações equivocadas, ou vai ficar desempregado. Que peça pra sair, ao menos, porque nem multa rescisória esse clube tá pagando. Foto: Liamara Polli/Photo Premium. Fonte: Lance

Longe de mim ser o cara que cobra cabeça de treinador em má fase. Especialmente com um elenco tão enxuto e limitado. Fora as questões de atrasos salariais que brotaram recentemente - é INACREDITÁVEL  e INACEITÁVEL que a diretoria consiga continuar se enrolando de maneira tão amadora em honrar seus compromissos - e que com toda a certeza andam influindo no desempenho do elenco. Mas Zé Ricardo parece que anda meio fumado das ideias, ou ainda, parece estar querendo cavar a demissão pra não ter que se demitir e ficar de mãos abanando que nem fez no Vasco. A situação é semelhante e está custando muito aos cofres do clube - sem títulos nem bonificações por performance - e à estima dos torcedores.

A razão dessa afirmação vem do péssimo desempenho do time no último mês. Os ótimos resultados na Sulamericana e Copa do Brasil deram cobertura ao trabalho fraco que Zé Ricardo vinha fazendo no elenco durante o Carioca. Foi só voltar para a competição que não teve como disfarçar mais: performances pífias e resultados ainda piores eliminaram o Botafogo de forma ABSURDAMENTE PRECOCE num campeonato cujo regulamento favorece de forma incomparável a classificação dos grandes em detrimento dos pequenos. Quase todos os resultados advinham dos péssimos primeiros tempos do time, que vinha assim escalado:

                                               Gatito/Cavalieri

Marcinho                Marcelo                 Gabriel                 Jonathan

                                        Alex Santana               Cícero
                      
                                                  João Paulo/Luiz Fernando


Pimpão                                     Diego Souza                        Érik


Pode parecer pouca mudança no esquema tático, mas no funcionamento da equipe as diferenças são GRITANTES. Alex Santana não sabe fazer a saída de bola e não faz a cobertura de entrada da área como o Jean. João Paulo quebra um galho como um 10, mas não é a dele, e isso muito menos para o Luiz Fernando, que já vinha numa fase tão ruim que mereceu de fato ser banco do Pimpão. E o ponto mais absurdo de todos: Cícero titular.
Novamente, não é que Cícero seja um mal jogador. Mas qualquer um com um mínimo de inteligência sabe que o cara está velho e não tem pique pra correr atrás de atacante de 20 anos. E nunca foi lá um grande marcador. Ou seja: NÃO É JOGADOR PRA COMEÇAR JOGO.  NÃO É JOGADOR PRA JOGAR 90 MINUTOS. MUITO MENOS DE FRENTE PRA ZAGA. 

O resultado era sempre o mesmo: o time ficava com 2 buracos; um entre o ataque e o meio porque fosse quem fosse o 10 se mandava pra frente, e um entre zaga e meio, pois não havia um cabeça de área fixo. Nesses espaços os adversários faziam seu jogo: no primeiro, anulavam a criação botafoguense e forçavam chutões. No outro, transitavam com liberdade e faziam sus gols. A coisa ainda piorava porque essa escalação forçava o Santana ficar preso atrás - impedindo ele de progredir pro chute, seu melhor aspecto - e forçava o Érik a voltar mais pra marcar ou criar - perdendo fôlego pra atacar no 1 X 1. 

Aí tomávamos gols até o digníssimo Zé Ricardo querer mexer. Em geral, as entradas de Bochecha, Jean e Ferrareis sacudiam um pouco o time, e corrigiam esses posicionamentos e falhas táticas. Mas não sendo o suficiente para reverter os resultados, tanto que cá estamos.

O pior de tudo é que Zé Ricardo repetiu essa escalação burra 3 ou 4 partidas seguidas. Na última, a mais importante, contra o Juventude: o desgraçado teve 10 dias treinando pra pensar como corrigir o que estava claramente errado, e NÃO, ele manteve o erro. Isso num cenário onde os jogadores estavam putos com salário e a torcida pra lá de ressabiada não apenas pelo rendimento fraco mas também de ter que encarar o fantasma do Juventude e o traumático vice de 99 (para os que não sabem, o Botafogo colocou mais de 100 mil no velho Maraca na final da Copa do Brasil, onde precisava apenas de 1 a 0 pra ser campeão, mas os gaúchos seguraram o empate. Cabe dizer, entretanto, que fomos claramente garfados no jogo de ida, com 2 gols mal anulados). Era esperado que se o time jogasse mal a torcida ia perder a paciência rápido. 

Quanto mais tomando gol de BOLA PARADA. Tendo 10 dias de treino pra não tomar um gol desses. Enfim. Fui ao Nilton Santos ver essa vergonha, seguem as notas:

GATITO - 6,0
Não teve culpa no gol. Foi seguro no que pôde. 

MARCINHO - 7,5
Sim. Marcinho foi disparado, de longe, o melhor em campo pelo Botafogo. Marcou bem, lutou, e de seus pés saíram todas as principais jogadas de ataque do time no 1º tempo. Sua saída arrebentou o time, que empatara na base do abafa.

MARCELO - 5,5
Titubeou no lance do gol. Correu atrás pra compensar, mas também foi sacado por Zé Ricardo em outra substituição estranha. 

GABRIEL - 5,0
Não foi bem, pixotou em excesso. Perdeu um gol feito. 

JONATHAN - 5,5
Marcou bem, mas não conseguiu aparecer muito no ataque. Justiça seja feita, seus companheiros pareciam não enxergá-lo. 

ALEX SANTANA - 5,0
Muito mal na marcação, já que estava deslocado. Quando teve mais liberdade, tentou produzir lances ofensivos, mas não chutou. 

CÍCERO - 3,0
Não tem condições de atuar 90 min. Não pode ser escalado com obrigações defensivas. Andou em campo no 1º tempo, errou praticamente tudo que tentou no 2º. 

JOÃO PAULO - 2,0
Estava muito isolado do resto dos companheiros do meio. Deu balões aleatórios pra área, e pra fechar com chave de ouro foi expulso por cair na pilha de um jogador zé ninguém do Juventude que jamais ganhará nada importante na vida. Capitão do time, tem a obrigação de ter a cabeça no lugar. E ainda que estivesse em campo, atuou de maneira pífia. Será que há futuro pra ele depois da lesão do ano passado? Seu futebol desapareceu. 

PIMPÃO - 4,5
Péssimo na parte ofensiva, e também deixou a desejar na defensiva, roubou poucas bolas.

DIEGO SOUZA - 5,0
Deve ter percebido o tamanho da furada em que se meteu por agora. Como Kieza, Brenner e todos os outros centro-avantes que aqui passaram recentemente, recebe poucas bolas. Tentou fazer pivôs, e saiu da área pra armar jogadas no fim de jogo. Ainda está devendo um pouco, mas não vai fazer milagre.

ÉRIK - 6,0
Tentou criar jogadas, recuperou bolas, se manteve aberto como opção e tabelando em facão por dentro. Bateu pênalti com maestria. 

LUIZ FERNANDO - 3,5
Absolutamente ninguém entendeu sua entrada no lugar do Marcinho. De 4 lances, errou 3. O único que acertou, foi desperdiçado por Kieza. 

KIEZA - ZERO
É uma negação de centro-avante. Precisa sair de General Severiano para seu próprio bem. E para o bem do universo, deve se aposentar e trabalhar de pedreiro, assim de fato será construtivo para alguma coisa. 

BOCHECHA - 6,0
Entrou improvisado na zaga - ???? - e ainda assim conseguiu ser efetivo tanto interceptando quando na saída de jogo, tendo produzido mais que Cícero e João Paulo juntos em menos de 5 min de participação. 

ZÉ RICARDO - ZERO É POUCO, TU MERECE MENOS 10 SEU ARROMBADO.
Insistiu, pela 4ª vez, numa escalação que já se provou errônea e improdutiva. Suas substituições foram absurdamente equivocadas: tirou o melhor em campo (Marcinho, lateral direito) pra botar o Luiz Fernando (atacante), forçando o Pimpão a cair pelo lado direito pra marcar. Aí não satisfeito, tira o próprio Pimpão e coloca o Kieza na área, forçando o Marcelo a ir cobrir a parte da direita e abrindo um buraco na zaga que o Cícero (!!!!) teve que ir cobrir. NÃO SATISFEITO, tirou o mesmo Marcelo pra botar o Bochecha fechando a zaga, o Gabriel foi deslocado pra direita e o Cícero ficou na zaga com o Bochecha. 
Foi de uma estupidez tamanha que não tem nem como descrever. Tirou o jogador mais produtivo em campo pra botar um atacante em péssima fase e deixando seu lado direito exposto e capenga: aí desarrumou mais ainda tirando quem foi lá cobrir pra botar um outro atacante ainda pior; a partir daí a zaga virou um caos. Qualquer contra ataque do Juventude poderia ter matado a partida. Zé Ricardo teve 90 minutos pra perceber que Cícero não tem condições de jogo, 90 min para colocar o Jean e deixar o time mais seguro pro avanço do Santana, e não o fez. Às vezes, melhorar a produtividade ofensiva parte de você arrumar sua defesa, pra que seu meio e ataque não precisem voltar tanto. Será que é tão difícil assim ver isso, Zé Ricardo?

Ou melhor, será que o dito cujo QUER ver isso? Ou quer ser demitido, pra levar a multa? 
Vou ser justo: o Juventude recuou absurdos e o Botafogo massacrou mesmo que na base do abafa. O goleiro dos caras operou milagres e Kieza foi, basicamente, Kieza. Ainda assim, tudo teria sido muito mais tranquilo desde o início se Zé Ricardo tivesse utilizado seus 10 dias com afinco e reconhecido seus erros táticos. Ainda que não o fizesse, se tivesse mudado logo no intervalo e tirado o inoperante Cícero, o time poderia ter feito melhor uso do seu meio campo, já que não haveria um Alex Santana correndo por 2. Ou seja: Não há outro responsável para o fiasco de quinta feira que não o técnico. 

O 1 a 1 só não foi pior porque o regulamento da Copa do Brasil excluiu o critério do gol fora. Temos plenas condições de passar. Mas, verdade seja dita, isso parece ser uma realidade atingível apenas se Zé Ricardo for demitido. Já deu de experimentos. Já deu de desculpinhas. Mesmo com peças lesionadas, poderia fazer melhor, e não faz porque não quer. É teimoso e limitado. 
Cai fora Zé Ricardo! Pede pra sair. 

sexta-feira, 1 de março de 2019

No embalo de Érik, fevereiro foi 11!

Olá galera corneta! Não é possível começar este texto de forma diferente que não exaltando a grande fase do nosso camisa 11, que vem jogando o fino. Sua presença e vontade em campo, aliadas à qualidade técnica já muito bem conhecida de todos nós botafoguenses, foram aspecto essencial da guinada de rendimento incrível do time neste mês passado de fevereiro. 

Erik leva a mão ao rosto ao comemorar seu segundo gol na vitória do Botafogo sobre o Cuiabá Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Erick comemorando seu 2º gol contra o Cuiabá. Fase é maravilhosa, e jogador já faz a torcida montar vaquinha pelo seu passe. Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo. Fonte: O Globo. 

Pra relembrarmos, o time foi eliminado precocemente da Taça Guanabara, resultando numa péssima situação pra se reverter agora no Estadual (de modo que, ou vence a Taça Rio, ou faz uma pontuação mágica nos turnos - sendo que já perdeu 2 pontos num clássico contra o Vasco, aonde jogamos melhor e merecíamos a virada). Porém, Zé Ricardo encontrou a mão do time, parando seus testes com peças incapazes ou descompromissadas (FINALMENTE O LEANDRO CARVALHO TOMOU RUMO! Não suporto jogador sanguessuga, que seja feliz no mediano Ceará e lá fique). 

A evolução técnica se deu, entre outras razões, pelo retorno de Érik, liberado do Palmeiras, e o melhor entrosamento que o time adquiriu no meio campo com Jean, Alex Santana - esse merece capítulo à parte também - e recentemente, nosso anão Leo Valencia, com Pimpão atingindo seu pico técnico pelo espírito do mata mata. Além, é claro, da nossa revelação do momento: Jonathan. Que PUTA lateral é esse garoto. Personalidade, velocidade, boa marcação. E tem recurso técnico, embora ainda esteja tímido pra chegar mais ao ataque. 
A bem da verdade, as lesões de João Paulo e Carli não estão sendo sentidas (até o momento), em função da grande fase de Santana e Marcelo, além da chegada recente do polivalente Cícero. 

Com essa boa maré, avançamos na Sulamericana contra o adversário mais perigoso possível, o surpreendente Defensa y Justicia, até então invicto há sei lá quanto tempo e líder do campeonato argentino. 1 a 0 em casa com gol do Érik ao último minuto (num jogo castigado pela chuva torrencial, e, adivinhem: gramado drenado e Nilton Santos de pé. Paes, Assunção e cia precisam ressarcir o Botafogo PRA ONTEM pela maracutaia que fizeram), 3 a 0 fora com Érik decidindo, Pimpão jogando uma barbaridade e Alex Santana fazendo uma puta pintura que nem Pelé fez. Detalhe, ele já tinha feito outro golaço antes no jogo contra o Campinense pela Copa do Brasil, 1ª fase. Alex tem demonstrado categoria para dar passes e finalizar. Na fase em que se encontra, João Paulo e Cícero vão ficar um tempo a mais no banco.


Geralmente, quando fazem esse gol, é uma bola relativamente forte, mas muito mais colocada. Santana acertou um PETARDO da casa do caralho. Fantástico. 

Quarta agora foi contra o Cuiabá, uma ótima equipe do Mato Grosso, que impôs bastante dificuldade ao Botafogo. Mas também, o regulamento da fase e a forma com que jogamos exigia dos nossos adversários a postura que foi adotada: Impedir a saída de bola com boa marcação adiantada, tentar o gol e ficar fechado depois. Com as boas saídas de Bochecha (depois que acordou pro jogo) e Valencia, encontramos Érik pra abrir o placar. No segundo tempo, jogo típico de Botafogo vencendo: fechado pra caralho, dando chance pro adversário, mas esperando 1 contra ataque pra matar. Matamos em 2, 3 a 0 e torcida na lua de mel. Já detalho notas, pois fui ao jogo. 

Cabe dizer que obviamente ainda há espaço pra melhora. Luiz Fernando, Marcinho e Kieza atravessam fases terríveis. Os dois primeiros são recuperáveis. Luiz Fernando ainda pode ser isentado em certo grau, já que foi improvisado no meio campo (função que claramente não sabe exercer) durante o tempo de recuperação de Valencia, e foi pro banco quando o chileno retornou. Se melhorar na parte tática, Luiz Fernando poderia barrar Pimpão, já que é mais técnico. Marcinho parece seguir completamente perdido no esquema tático, não sabendo se posicionar na defesa e se ausentando demais do ataque. A situação é dramática porque não possui um reserva, mesmo que fosse pra fazer sombra. Kieza sempre foi limitado, mas está ainda mais irritante e desperdiçou muitos gols nos últimos jogos, tornando partidas mais complicadas. Com as dispensas de Aguirre (não quis tentar se redimir do péssimo começo, é uma grande decepção) e Brenner (eu ainda seguraria, depender só de Kieza é dose), é o único rodado que pode cumprir a função, e se vira como pode. Mas, como já disse, é extremamente limitado e a fase não está ajudando. 

Em outras palavras, para que o time tenha condições de sonhar mais alto na Copa do Brasil, Sula e Brasileiro, precisamos de alguns reforços pontuais. Um armador, dado que Valencia é o único de origem na posição e tanto Cícero quanto João Paulo são lentos pra jogar na função; um lateral direito pra assustar o Marcinho; e por fim um centro avante de peso, e a possível contratação do Diego Souza seria FANTÁSTICA nesse caso. Sim, ele é um garoto-problema. MAS, com sua situação atual técnica, seu desejo de brilhar novamente e seu carinho pelo Rio, seria a principal peça num time taticamente acertado para o atacante resolver. Pode dar muito certo, e assim esperamos. Se o cara vier, e eu tivesse todas as peças do Botafogo disponíveis pra escalar, eu faria um 4-2-1-3, assim:

                                                                   Gatito

   Marcinho             Carli/Marcelo                        Gabriel                 Jonathan

                                                          Jean
                                                                                           Alex Santana
                                          Valencia

Pimpão/Luiz Fernando                     Diego Souza                                 Érik

As opções duplas são em função da fase técnica. Valencia é o único meia disponível, e não dá pra ter Cícero e João Paulo nesse meio, reduziria demais a velocidade. Seriam ótimos reservas com possibilidade de mudar o jogo, assim como Bochecha e Ferrareis.                                 
Vamos às notas de quarta!

GATITO - 6
Pouco exigido de fato, quando foi necessário, mostrou a segurança de sempre.

MARCINHO - 5
Segue incrivelmente perdido em campo, na defesa e no ataque. Conseguiu participar da jogada do primeiro gol, e só.

MARCELO - 7
Começou arriscando passes desnecessários e precipitados pela marcação avançada do adversário. Depois, se encontrou em campo junto com o time, fez ótimas intervenções e quase fez o seu gol. 

GABRIEL - 6,5
Combateu bem, não teve culpa nos lances de perigo do Cuiabá.

JONATHAN - 6
Uma partida um pouco mais discreta dessa vez, mas sem comprometer. 

BOCHECHA - 6,5
Sofreu no começo com a marcação adiantada e a forte chuva. Porém, passados 20 minutos, deu bons passes, fazendo uma ótima saída de jogo e interceptou bolas importantes. Saiu com o time em vantagem, pra que se reforçasse a marcação. 

ALEX SANTANA - 6,5
Assim como o resto do time, começou mal e inventando moda. Depois, encaixou bem a marcação e errou pouco. Saiu quando estava crescendo no jogo, achei errada sua substituição.

LEO VALENCIA - 6,5
Ainda está recuperando o melhor ritmo e tempo de bola, então é normal que erre. Apesar disso, fez alguns bons passes, incluindo a ótima assistência para o primeiro gol. Estava exausto no segundo tempo, poderia ter sido substituído. 

PIMPÃO - 7,5
Está iluminado pelo espírito Libertadores mais uma vez. Começou errando no ataque, mas depois foi essencial na recomposição, puxou o contra-ataque que levaria no seu segundo gol, e ainda sofreu o pênalti do terceiro. Que siga assim!

ÉRIK - 8
Foi o único jogador do time que esteve bem durante toda a partida. Nos primeiros minutos, era o único que criava jogadas. Depois, além da criação, ajudou muito na marcação, meteu um gol de centro avante e fez o de pênalti. Pela moral que está, é possível que tenha virado o cobrador oficial. E de fato, ele bate bem!

KIEZA - 6
Dentro de suas limitações, arrumou 7 ou 8 faltas para o Botafogo na saída de jogo ou contra-ataque. Lutou o que podia, sem receber muitos passes, e quase fez um gol de bike! Mostrou alguma melhora em comparação às partidas anteriores. 

JEAN - 5,5
Entrou pra marcar, mas pareceu bastante afobado. Deu uma entrada criminosa no atacante cuiabense, que deveria ser punida com vermelho. Fez algumas outras faltas bobas. Precisa se acalmar. 

CÍCERO - 6
Entrou pra ganhar ritmo, e soube valorizar a posse de bola com passes de qualidade. Entretanto, teria sido melhor se tivesse entrado no lugar de Valencia, que estava cansado. 

LUIZ FERNANDO - 5,5
Entrou no lugar do exausto Kieza, pra aumentar a velocidade do contra-ataque. A bem da verdade, pouco pegou na bola. Só não ferrou o time, então ok. 

ZÉ RICARDO - 6
Escolheu bem ao colocar o Bochecha em campo desde o começo, mas correu risco demais fazendo ele ocupar a cabeça de área. Teria sido melhor poupar Alex Santana, pra deixar Bochecha jogando na posição de origem. O time conseguiu se ajustar a isso e sair com a vitória parcial no primeiro tempo. Nas substituições, conservou Bochecha da chance de errar com o time mais fechado e trouxe Jean. Com a forma que o time se apresentava, teria sido melhor manter Santana e tirar Valencia, que claramente havia caído de rendimento. O time ficou bem lento a partir da saída de Santana, mas a ineficiência cuiabense nos permitiu manter a posse e esperar a brecha pra matar. 

No mais é isso. Vamos aguardar pelo desfecho da novela Diego Souza. É uma contratação urgente, e que teria impactos positivos em todos os setores do clube. A torcida teria um jogador cascudo e de personalidade, o elenco teria um salto de qualidade, Zé Ricardo teria mais opções....vamos ver. 
Saudações alvinegras! Que o seu Carnaval seja tão bom quanto o mês de fevereiro foi pro Botafogo!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Início longe de empolgar

Saudações alvinegras para o primeiro post de 2019! 
Peço perdão pela demora, afinal, tô na fase maravilhosa da vida do "não tem mais férias", então vocês podem imaginar como tá sendo difícil e cansativo arrumar tempo pra fazer as coisas além da rotina. 

Mais difícil ainda com o péssimo início de temporada do Botafogo. Até carteado tá parecendo mais interessante pra torcida.

Sueca no Niltão! Torcedor do Botafogo explica jogo de cartas após foto viralizar na internet
Carteado no intervalo chamou atenção nas redes. Botafogo não está ajudando e a torcida se distancia mais uma vez. Foto: Guilherme Quintaneiro / Cristão Botafoguense. Fonte: Fogão.NET. 

Memes à parte, alguns descontos podem ser feitos pra não sermos totalmente injustos. Vamos a eles:

1 - Os desfalques de Leo Valencia e Joel Carli são pesadíssimos  para a performance do elenco. Valencia é nosso meia mais produtivo, Carli é um zagueiro que dá segurança, e não temos reposição à altura. O combalido elenco, sem essas peças, cai fortemente de produtividade. 

2 - Soma-se isso à inconstância física de João Paulo e Jean, ambos recém retornados de lesão e ainda oscilando no recondicionamento (o que acarreta novas lesões com alguma facilidade, embora menos graves). São peças essenciais para o meio de campo, especialmente o Jean por ser o único volante do elenco com perfil combativo. 

3 - Começo de temporada, os pequenos sempre vem mais entrosados e com mais ritmo do que os grandes. Todo mundo sempre sofre pra ganhar os primeiros jogos, zebras são constantes. Veja Palmeiras e Corinthians no paulistão pra ver se estou mentindo. O próprio Flamengo precisou de erro de arbitragem pra vencer a primeira e empatou a segunda. 

4 - Justamente pelo Carioca ter perdido (e muito) seu valor como competição, faz todo o sentido que Zé Ricardo utilize ao menos os primeiros jogos para experimentar as peças novas e a garotada da base. É necessário antever o resto da temporada, e já vislumbrar reforços que sejam (SERÃO) essenciais para cobrir nossos pontos fracos. Sem o teste das peças, essa avaliação fica comprometida.

DITO ISSO, não é desculpa para a falta de vontade apresentada por diversos atletas do elenco (maioria deles já burro velho conhecido da torcida) contra a Cabofriense e o Bangu. Contra o Flamengo foi possível ver uma evolução tática e técnica (pelo retorno de Erik e João Paulo, essencialmente), mas o time esbarrou na ruindade e má vontade de Pimpão e Kieza mais uma vez, além de Zé Ricardo ter sido extremamente passivo assistindo o cansaço bater na equipe. 

Zé já conhece boa parte desse elenco e precisa inventar menos com essas peças já rodadas. Jogadores como Kieza e Pimpão não tem mais o que oferecer. A garotada que subiu precisa não apenas de oportunidade, mas também de cobrança; se for contaminada pelo espírito "deixa que eu deixo" desses atletas e outros vai servir de nada. Jean, Erik, João Paulo, Carli, Valencia e Gatito são titulares absolutos, e ele que se vire escalando a partir disso. 

Como nem tudo podem ser espinhos, Alex Santana e Gabriel mostraram ter condições plenas para ser titulares que inspiram confiança. Especialmente o Santana, que faz jus ao xará do Supercampeões com seu chute canhão. Aguirre, apesar do péssimo desempenho, parece estar disposto a provar que merece seguir no Botafogo, tal qual Valencia fez no ano passado. Luiz Fernando segue oscilando, mas possui bom futebol e sua parceria com Erik rende bons frutos. 

Há que se isentar Zé Ricardo na questão do elenco em si, afinal, isso é com a diretoria. A má gestão atingiu o nível de nos forçar a vender o Rabello por mixaria pra pagar salário, pra nem um mês depois ser aprovado um orçamento milionário com superávit. Quem está fazendo essas contas no Botafogo? Os Salles vão assumir e estamos contando com o ovo no cu da galinha? Ou tem mais uma maracutaia por trás, à la Maurício? Os preços esperados nos ingressos podem contribuir para a entrada de sócios, mas só vai ter sócio se o futebol empolgar. E só vai ter gente no estádio pra ver uma porra de um jogo merda no Carioca se o ingresso for acessível. Quem decidiu os preços? Foi a FERJ? Ou foi mais algum gênio das contas? 

Não estou dizendo que não se deva elevar o preço do ingresso pra favorecer a entrada de sócios. Mas que pra fazer isso é necessário planejamento. Subir o preço de todos os ingressos no Carioca é pedir pra ter Nilton Santos vazio dando prejuízo. É preciso ter setores populares, mesmo que sejam reduzidos. Os setores da Leste e Oeste podem sim ter preços aumentados, é onde se concentram as organizadas e torcedores mais abastados, de modo que são o melhor potencial de sócios novos. 

Enfim. Zé Ricardo terá trabalho e pressão, pois uma eliminação precoce no 1º turno do Carioca levaria ao caos, com as estreias da Sulamericana e Copa do Brasil se aproximando. Tá na hora de inventar um pouco menos com os caras de sempre, fazer o feijão com arroz e cobrar raça. 

Abraço povo corneta, até.