A garganta ainda tá rouca pra cacete, mas é muito bom vir aqui relatar sobre o jogo de ontem, companheiros cornetas! Um show da torcida, por mais maltratada pelo time que esta seja.
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| Show da torcida contagiou o time. Eu tava no mosaico, pra variar. Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo. Fonte: Vavel.com |
Aliás, que jogo duro de assistir. Um verdadeiro teste pra cardíaco. Observe, não é que o Botafogo estivesse mal postado em campo (um dos poucos méritos que o Zé Ricardo conseguiu obter com tão pouco tempo de trabalho) ou sem raça (o time chegou junto e inflamado pela torcida). Mas o time segue esbarrando em suas deficiências técnicas e nas leituras erradas de jogo.
Foram diversos momentos aonde o time mal conseguia trocar 3 passes. O Nacional colocou seu time fazendo marcação quase individual na saída de bola do Botafogo. As nossas linhas ficaram distantes e demorou até que o time conseguisse escapes com bola tocada, e em geral sempre em passes arriscados. Quando a pressão adversária cedia e se colocava mais atrás no meio de campo, nossos principais armadores faziam inversões horrorosas. Valencia e Lindoso faziam lances bizarros, que dava dor nos olhos.
Entretanto, não deu pra reclamar de omissão destas peças. Procuraram o jogo e foram premiados pela insistência com os gols de ontem. Lindoso poderia ter feito 2 não fosse a anulação de seu primeiro tento (questionável por ser um lance DIFICÍLIMO, mas perdoável justamente por isso). Em campo, quem mais oscilou e demorou a dar as caras na partida foi Renatinho, que quando resolveu crescer, se lesionou mais uma vez. Tá difícil ter atleta inteiro.
| Valencia: anãozinho fez sua melhor partida como atleta do Fogão. Noite de redenção com a torcida e talvez consigo mesmo. Foto: Lance. Fonte: R7. |
Moisés fez partida impecável. Parece ter reencontrado o ritmo de jogo. No seu único erro de posicionamento em 90 min, quase tomamos um gol que seria balde de água fria. Foi resultado da postura do Nacional de não se expor mesmo depois do 1 a 0: sabiam que o Botafogo tentaria ampliar e apostariam no erro forçado para empatar o jogo e matar a partida. Quase deu certo.
Mas no Nilton Santos, quem manda é o Botafogo. Seguimos como um dos melhores mandantes do Brasileiro e nas competições internacionais os caras já sabem que aqui tem peso e tradição. Que a diretoria faça mais ações nesse sentido de tornar acessível e que a torcida agora pegue confiança, assim como o time precisa se contagiar por essa paixão que emana dos botafoguenses. Esse caldo misturado, ninguém cala e ninguém pára!
Dentre as muitas diversões que o folclore botafoguense proporciona: Tava no bar em frente à Oeste com o pai do meu parceiro Leozin, tomando uma cerva pra animar. Tinha a presença do ilustre Mendonça no bar, inclusive. Por lá, me apareceu um camelô:
"Quanto tu acha que é hoje?"
"Irmão, vou de 3 a 0."
"Mãe Dináh falou que é 2 a 0."
"Então fechou."
Detalhe que a Mãe Dináh (ao menos a famosa) morreu tem uns anos, mas seja quem foi que soprou pro camelô, a profecia na boca dele deu certo, pra nossa alegria botafoguense.
Foda também foi ouvir a torcida clamando por Pimpão. O que é que fizeram com esse clube, meu Deus, que porra criminosa é essa???
O time segue criando muito e perdendo oportunidades, mas desta vez teve mais pontaria. Que a melhora continue. Bahia é oponente interessante, mas que podemos vencer sem tanto desespero, basta pé no chão e coração na chuteira.
Como eu estava no estádio, hoje tem notas!
SAULO - 6,5
Seguro, tranquilo, sereno. Não foi muito exigido, e no único momento de perigo foi lá tentar pegar, mas a bola foi pra fora (e se entrasse não seria sua culpa).
MARCINHO - 6
Segue me levando à loucura com sua total incapacidade de marcar o jogador adversário que se coloca nas suas costas. Mas, pra nossa sorte, nenhuma bola foi levantada nessa direção quando havia a oportunidade. Se apresentou ao ataque quando o time precisou, e no combate de frente foi efetivo.
CARLI - 7,5
Soberano. Ganhou 99% dos lances, tanto no alto quanto no chão. Quando não ganhou a disputa, atrapalhou o suficiente seus adversários. Foi presente na bola parada ofensiva, fez bons lançamentos e ainda perdeu um golzinho feito só pra não ganhar um 9 ou 10.
RABELLO - 7
Também fez ótima partida. Não comprometeu. Marcou bem, com boas antecipações. Não foi tão presente na bola parada como de costume.
MOISÉS - 8
Na parte técnica, foi o melhor em campo. Não perdeu nenhuma dividida, fez saídas de jogo e puxadas de contra-ataque com toques rápidos e dribles de corpo precisos. Deu bons passes e subiu com eficiência. Reencontrou seu bom futebol.
LINDOSO - 6
Subiu com precisão 3 vezes, mas só em uma conseguiu seu gol. Demorou muito a entrar de fato no jogo, mas assumiu o risco e tentou passes que clareassem as situações. Errou vários, mas manteve a presença pra rodar o jogo. Com a atuação, pode ser que recobre a confiança e reassuma o nível médio esperado.
MATHEUS FERNANDES - 7
Leão em campo, foi quem mais se dedicou à marcação. Sua partida pareceu discreta na parte ofensiva, mas nesse aspecto tático foi crucial. Foi o porto seguro do time pra parar os ataques paraguaios no nascedouro, e arriscou subidas ao ataque.
LUIZ FERNANDO - 6,5
Nos primeiros 20 minutos, foi o único atleta que consegui encaixar lances mais agudos, tentando criar ataques. Foi participativo na criação e recompôs bem na marcação. Sofreu demais com o cansaço no 2º tempo.
GILSON - 5
Entrou pra fazer o papel tático do Luiz Fernando e aliviar o desgaste do Moisés. Sofreu uma falta e foi só. Não tirou menos porque teve a noção de não pegar na bola pra não fazer merda.
RENATINHO - 5,5
Demorou muito a aparecer. Quando resolveu, arriscou tabelas com Valencia e puxou escapadas. Tentou marcar, mas é franzino demais. Quebrou de novo, o que me faz questionar se tem condições pra ser profissional do ramo.
PIMPÃO - 6,5
Entrou e melhorou a marcação do time, roubando bolas e puxando contra-ataques. Claro, fez suas cagadinhas e tentou emendar bikes de locais inusitados, mas é aquilo, é o Pimpão. Não comprometeu e auxiliou muito o time a voltar a criar oportunidades.
VALENCIA - 8,5
Nome do jogo. Traduz literalmente o que é a definição de cúmulo. O sujeito que bate um escanteio com 5 min de jogo mal a ponto da bola fazer a curva pra fora é também o cara que mete a bola na cabeça do Lindoso 3 vezes (e uma dá em gol) e que melhor distribuiu as bolas pro time, além de marcar um GOLAÇO no fim. O anão que perde todas as bolas no alto e que consegue marcar melhor que nosso primeiro volante. Continua sendo o meia mais produtivo da equipe, e que essa partida lhe dê confiança pra praticar o futebol que se espera de um camisa 10 do Botafogo.
AGUIRRE - 6
Se esforçou o máximo que pôde, mas a bola pouco chegou em condições trabalháveis, já que a maior parte dos lances foi de bola parada. Não faltou entrega, fez boas marcações e roubou algumas bolas. Meteu um canudo na trave que merecia melhor sorte. Realmente, pode funcionar como 9, mas precisa ser um pouco mais presente.
BRENNER - 5,5
Não recebeu muitas bolas, mas foi participativo na marcação. Tabelou com Pimpão em contra-ataque. Mas só.
ZÉ RICARDO - 7
Escalou o que tinha de melhor disponível, dando alguma sequência aos jogadores e ao esquema. De cara, uma arrumação mais definida e um time mais organizado em campo. Das 3 mexidas, a única realmente questionável foi a entrada do Gilson. Era melhor ter posto o Jean pra fechar a casinha ou arriscado o Ezequiel, que já tem alguma rodagem. Pra sorte do Zé, Gilson não cagou. Precisa de tempo pra desenvolver seu trabalho e ver que atletas podem e os que não podem sob caralho de hipótese nenhuma entrar em campo.
Domingo é contra o Galo. Tô lá.

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