Jair Ventura, carinhosamente apelidado por mim de Sr. Everest, foi demitido do Santos.
Demorou, na real. Sua prepotência e teimosia, somadas à sua vocação para retranca, jamais combinariam com a filosofia full-ofensive do alvinegro praiano. Naquele Botafogo de 2016/17, cheio de pernas de pau no meio campo e com poucos atacantes (menos ainda os que tivessem qualidade), fazia sentido. Não rimava nem fazia uma mínima alusão à nossa tradição, que também é ofensiva. Mas era o que dava, pras circunstâncias. No Santos, todavia, mesmo que também houvesse crise financeira, vê-se um elenco com ótimos atacantes e um suplemento infinito de boas promessas da ótima base santista. A retranca de Jair jamais se instalou, e o Sr. Everest teve que tentar se virar com o time jogando pra frente, coisa que ele não sabe fazer - mas nunca admitiu.
Chega a ser irônico que o filho do lendário Jairzinho não consiga conceber armações ofensivas e jogadas trabalhadas nas suas equipes. Só retranca e contra-ataque. Também há ironia no fato de que, sendo filho de uma lenda tão humilde e fiel às suas origens, Jair ande com o nariz em pé pra cada crítico e tenha cuspido de maneira tão sórdida no prato que lhe foi dado. Mas, quem se deu com o cretino Roger - que usou seu momento no Botafogo pra se valorizar e negociou sua saída às escondidas, enquanto manipulava a opinião pública usando a própria filha e acusando o clube de não pagar seu tratamento; uma mentira sórdida e rapidamente desmentida naquelas semanas - realmente não pode ser flor que se cheire.
A verdade, nos tempos modernos de futebol, é que amor à camisa é absurdamente raro. Jefferson, independente de sua péssima condição atual, é o último ídolo verdadeiro do Botafogo, e um dos últimos que merece esse respeito no futebol brasileiro, esvaziado de pessoas com caráter e paixão. Atletas e profissionais da bola usam a profissionalização e modernização do esporte como desculpa para sua ganância e falsidade, migrando de clube em clube sem firmar raízes, às vezes até quando conquistam títulos. Mas isso é assunto pra outro dia.
Meu ponto é o viuvismo sem sentido que aparece, não apenas na torcida do Botafogo, mas em todas do futebol brasileiro, em relação a essas figuras. Algo que se explica tanto pela carência de ídolos verdadeiros e íntegros na sua dedicação, como também pela impaciência cultural do resultado. Olhemos o Fogão: Paquetá oscilou de performance em suas 2 primeiras partidas - e sim, isso gera preocupação pro futuro - e já tem gente pedindo que o Jair volte.
O mesmo Sr. Everest, que abraçou a desmotivação de um elenco fraco, e agarrou com todas as forças uma muleta ridícula de "fizemos o que dava" pra explicar 6 jogos com apenas 1 vitória conquistada. Bastaria mais uma e estávamos na Libertadores deste ano. A limitação técnica do time que virou o terror dos gigantes da América do Sul não foi um empecilho antes. Mas naquele momento conveniente, era. O mesmo Sr. Everest, que discursou que "não havia obrigação nenhuma". A previsibilidade da equipe de Jair Ventura na reta final foi algo deprimente de assistir. E ele não ensaiou nenhuma mudança ou alteração pro quadro. Seus protegidos, em péssimo momento técnico, faltavam com raça de forma clara, mas ele nada dizia.
Aliás, minto: Ventura cobrou, publicamente, o desempenho de Leo Valência, que nessa temporada tem sido o melhor jogador criativo da equipe. Em nenhum momento tomou a culpa pra si. E na hora de dar uma resposta e mostrar pra torcida que o protegeu até o fim que poderia crescer como técnico e faria o Botafogo campeão, foi pro Santos por uns trocados a mais.
Pois bem, tá aí. O cara se fodeu, tomou vaia desde o seu 1º mês, e nós já fomos campeões esse ano. E ainda temos plenas condições de ir mais longe nessa temporada - por mais que eu tenha certeza que será na base do sofrimento.
Não há razão pra ser viúva do Jair Ventura. Não há porquê sentir falta do Roger, do Bruno Silva, do Vitinho, do Jobson ou quem diabo mais for. Nós somos o Botafogo, como diz o Zé.
"Ah mas o Paquetá é ruim'" - bora esperar um tantinho. Ainda há tempo. Se for pra pedir outro treinador, que seja alguém que nos respeite e que saiba tirar forças desse elenco. O Cuca nos deu má fama, mas talvez viesse motivado pra limpá-la. Há poucos bons nomes no mercado.
Enfim, o recado é esse: Que sintamos falta dos atletas e profissionais que se comprometeram e nos respeitaram DE VERDADE, sem segundas intenções. Que tenhamos mais amor próprio.
O Sr Everest enfie a porra do Everest e do salário do Santos no meio do cu, o Botafogo vai muito bem sem ele, obrigado.
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