Olá, amigos cornetas, e especialmente os botafoguenses. O que falar daquele jogo merda ontem?
Detalhe que, pra variar, o Botafogo fez vergonha no meu aniversário. Ao menos eu não assisti essa desgraça sozinho nem totalmente sóbrio, o que ajudou muito a aliviar a raiva. Mas é tremendamente evidente o dessabor da performance grotesca do time no Beira-Rio.
Eu não sei bem o que dizer do Paquetá. Apesar dos desfalques, ele parece ao mesmo tempo em que tenta impor sua filosofia - volto nela depois - tentar escutar os palpites da torcida. Seja um ato pra diminuir os ânimos do torcedor ou se eximir da responsabilidade, a escalação no papel ontem quase não foi problemática. Quase, porque Marcinho de ponta e Valencia no banco pra mim foram mexidas inexplicáveis, e que geraram uma bagunça tática que Paquetá com certeza não previa.
O 1º caso já fora mencionado como possibilidade de teste desde a chegada do técnico. De fato, Marcinho tem uma capacidade ofensiva promissora e alguma velocidade. Só que no esquema de jogo "atual" - tomando a era Valentim de referência - do time, os pontas marcam, e Marcinho segue horroroso nesse aspecto. Sua escalação na ponta exigia que houvesse um acerto tático de cobertura, o que não era possível fazer com apenas 2 volantes, dado que Luiz Fernando na outra ponta também não marca muito bem. Fica BEM DIFÍCIL pra 2 caras fazerem cobertura lateral e ainda preencherem o meio. Some isso ao fato de Luís Ricardo, em sua fase tenebrosa, estar na lateral direita, e tínhamos uma avenida nesse setor.
Não surpreendentemente, os 2 primeiros gols do Internacional se deram em falhas de posicionamento e marcação por esse lado. Ambas com Marcinho de vilão. E depois o garoto quer reclamar que a torcida persegue. Sim, Marcinho, a torcida às vezes exagera, mas isso é em todo e qualquer clube do Brasil. Cabe a você filtrar a crítica da perseguição, o desejo pra que você aprenda do ódio e ameaça. Nem todo torcedor é babaca, mas todo torcedor quer ver o time vencendo, e quando a derrota passa por erros individuais seus, você tem que engolir e responder com acertos depois. Todo corneta quer ter a língua queimada, sempre.
Quanto à barração do Valencia: Paquetá diz que foi pra recuperar o jogador do desgaste. Ok, vamos supor que realmente há um desgaste acima da média. Mas a escalação do Renatinho em seu lugar foi determinante pra inoperância criativa do time. Estávamos sem nosso melhor armador na temporada, pra atuar com um jogador inexperiente e sem confiança cujo futebol na temporada pouco apareceu. Além disso, por ser um meia, adiantava-se muito em relação aos volantes, que eram obrigados a cobrir seu espaço - criando o vácuo de cobertura na direita mencionado antes. Pra jogar com 3 meias, aqueles que atuam de extremos PRECISAM saber marcar, e o meia central PRECISA saber os momentos de adiantar e recuar seu posicionamento. Renatinho não sabe fazer isso. Sequer experimentou tabelas e trocar de posição com os pontas.
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| Paquetá: Mudanças em sequência estão arrebentando com o já fraquíssimo time. Parece que ainda está perdido na Índia. Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo. Fonte: Torcedores.com |
De resto, foi assistir um time inoperante, que encaixava a marcação em alguns poucos momentos e ainda mais raramente chegava a gol. Aguirre finalmente atuou como centro-avante, e se por um lado teve poucas bolas chegando, também não soube aproveitar as oportunidades concedidas e não se movimentou bem. Se o uruguaio levar o mesmo tempo que Valencia levou pra se encontrar em campo, terá cumprido seu 1 ano de empréstimo sem motivo algum pra que se pense em renovar.
Ainda tomamos um 3º gol em mais uma falha coletiva da defesa, e aqui estamos tentando entender o que está causando essa pane. É salário atrasado? A diretoria fez a merda de querer adiantar receitas - fato utilizado pela anterior na campanha que levaria ao último rebaixamento - e agora deve quitar tais fatos, voltando assim ao ProFut e quem sabe assim passando a receber o dinheiro da Caixa novamente. TALVEZ, se houver inteligência no uso desse dinheiro a entrar que não corresponde aos adiantados (incluindo aí valores de clube formador pelas transferências de Doria e Vitinho), esse adiantamento não nos cause problemas massivos no ano que vem. Porém, é difícil esperar tal milagre pelos sinais dados.
Seria então a "filosofia" de Paquetá? Se tem uma coisa que não funciona em time brasileiro é essa mania européia de ajustar escalação e esquema tático toda partida. Não funciona porque antes de se fazer ajustes, TEM QUE TER UMA FORMA PRIMÁRIA DE JOGO! E nem isso o Botafogo tem. Desde um pouco antes da saída de Valentim o time perdeu a consciência tática, não sabe bem o que propor como forma de atuar. E Paquetá tenta, a cada partida, propor algo novo, esquecendo que não há tempo pra fazer assimilações muito radicais e - em contrapartida - CLARAS LIMITAÇÕES TÉCNICAS no elenco. Receita perfeita pro fracasso, ao menos até o momento. Paquetá segue nitidamente perdido, a julgar pela péssima coletiva pós-jogo.
Verdade seja dita, tirando o Flamengo - que flertou com esse desespero não tem muitos anos - todos os times do Rio estão num processo de derrocada difícil de reverter. É necessário que haja muita força e eficiência na gestão do clube, e um abraço poderoso da torcida. E durante muitos anos. Enquanto o cenário não muda, assistimos de forma desesperada mais um ano difícil de aturar, apesar dos esforços na arquibancada.
Será que vamos apanhar no Paraguai? A Sulamericana seria um título e tanto nessa situação.

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